Vacina antitetânica: reações adversas, validade e quando tomar

Vacina antitetânica: reações adversas, validade e quando tomar

24 de julho de 2020 0 Por Editor

Infecção bacteriana que causa dores musculares intensas e pode causar a morte, o tétano é uma doença com índices de mortalidade de 33,1%, de acordo com o Ministério da Saúde. Contudo, os casos de tétano podem ser diminuídos graças a aplicação da vacina antitetânica.

Para que possa combater a doença e proteger o indivíduo, a vacina deve ter todas suas doses aplicadas iniciando pela infância e realizando reforços à cada 10 anos, a fim de manter a imunização ativa. Para conhecer mais detalhes sobre como funciona a vacina antitetânica, continue acompanhando a leitura conosco!

O que é tétano

O tétano é uma doença grave e potencialmente fatal, causada pela toxina produzida pelo Clostridium tetani, bactéria que pode contaminar ferimentos ainda que sejam pequenos. A bactéria é encontrada no ambiente como solo, superfície de objetos e esterco, e também sob a forma de esporos. 

Ao contaminar os ferimentos, pode tornar-se capaz de produzir a toxina tetânica sob condições favoráveis, como presença de tecidos mortos, poeira, corpos estranhos e sujeira. Essa toxina atua em terminais nervosos, induzindo contrações musculares intensas na pessoa.

O tétano é uma doença transmissível, no entanto não é contagiosa, sendo a forma mais comum de contrair a doença por meio de perfurações profundas causadas por objetos que estejam contaminados. 

Ainda que seja raro, a doença continua a ser uma ameaça a pessoas que não são vacinadas, sobretudo em países subdesenvolvidos. Pela impossibilidade da eliminação dos esporos da bactéria no meio ambiente, a vacinação e o tratamento adequado das feridas são cruciais para a prevenção da doença.

Sintomas da doença

Entre as primeiras manifestações do tétano, podem passar entre 1 a 3 semanas até que apareçam os primeiros sintomas. O período de incubação da bactéria é de sete a oito dias, e os primeiros sintomas a surgirem dias após a inoculação dos esporos do Clostridium tetani em ferimentos são a rigidez na mandíbula chamada de trismo, que causa dificuldade de abrir a boca, e a dificuldade de engolir. 

Na maior parte dos casos, ocorre a progressão para dores de cabeça, palpitações, espasmos musculares no rosto, e contraturas musculares generalizadas que podem colocar a vida do indivíduo em risco ao comprometer a musculatura respiratória quando atinge músculos reto-abdominais e do diafragma, levando à insuficiência respiratória. Confira os sintomas que podem estar presentes diante da contaminação por tétano:

  • espasmo e rigidez da mandíbula, dificultando o abrir da boca;
  • rigidez dos músculos do pescoço e da nuca;
  • rigidez em músculos do abdômen;
  • espasmos corporais que podem durar diversos minutos, causados por toque físico, sons e sensibilidade à luz;
  •  febre;
  • sudorese;
  • aumento da pressão;
  • batimentos cardíacos acelerados.

Forma de transmissão

A forma de transmissão do tétano é por meio da introdução da toxina causada pelos esporos da bactéria em ferimentos externos, geralmente perfurantes, que estejam contaminados com terra, poeira, fezes de animais ou mesmo humanas.

Isso porque, o bacilo que se encontra no intestino de animais, especialmente do cavalo e do homem, e os esporo podem estar presentes em solos contaminados por fezes ou com esterco, como poeira e pele, por exemplo. 

Outras portas de entrada podem ser por queimaduras e tecidos necrosados, que favorecem o desenvolvimento dessa bactéria. Engana-se quem pensa apenas em pregos e cercas enferrujadas quando falamos em tétano. A bactéria causadora da doença pode ser encontrada nos mais diversos ambientes.

Prevenção

Apesar de não se tratar de uma doença contagiosa, os indivíduos que contraíram o tétano não adquirem anticorpos para evitá-lo novamente. Por esse motivo, a vacina antitetânica é a única forma de proteção. 

Para que a imunização seja adequada em casos de ferimento é preciso ter tomado 3 doses de toxóide tetânico, presente nas vacinas DTP, DT e dT que você conhecerá mais adiante, sendo a última dose há menos de 10 anos.

A manutenção dos níveis da cobertura vacinal é recomendada para toda a população e não somente para aqueles que são considerados grupos de risco, como crianças e pessoas da terceira idade, portadores de úlceras de pernas crônicas, agricultores e operários de construção civil.

O cuidado com as feridas devem ser de limpeza imediata e completa, especialmente naquelas incisas e profundas pois, o pó e o tecido morto favorecem o crescimento da bactéria causadora da doença.

Complicações

Entre as complicações que a doença pode causar no infectado estão ossos frágeis e quebradiços, decorrentes dos espasmos musculares, disfunção muscular, problemas de respiração, pneumonia, insuficiência cardíaca, e falta de oxigenação no cérebro.

Tétano neonatal

Já em casos de tétano neonatal, conhecido também por ma dos 7 dias, o recém-nascido é contaminado quando esporos do bacilo tetânico entram em contato com o coto umbilical por meio de instrumentos sujos utilizados no momento de cortar o cordão, assim como substâncias pouco higiênicas usadas para cobrir o coto. Em casos como este, o sistema nervoso do bebê é afetado, provocando fortes dores na criança, contrações e dificuldade para mamar.

Em relação a prevenção do tétano neonatal, deve ser realizada a partir da vacinação de todas mulheres em idade fértil, com 3 doses da vacina. Gestantes também devem tomar a vacina antes do parto e, caso sua última dose tenha sido há mais de 5 anos, deverá tomar um reforço.

Vacina antitetânica

A vacina antitetânica é uma técnica de imunização de pessoas contra o tétano. Feita a partir da toxina tetânica que por métodos químicos é transformada em toxóide tetânico, a toxina é alterada quimicamente para deixar seu efeito tóxico, permitindo que o organismo adquira resistência da mesma forma.

Ao ser contaminado pela doença bacteriana, a toxina do tétano causa diversos danos que não permitem que o corpo fique imune antes que aconteça a morte. Já no caso do toxóide, o organismo resiste com grande eficiência.

A vacina antitetânica é intramuscular, ou seja, realizada no músculo, e confere imunidade a até 95% dos pacientes. Com 5 doses diferentes no decorrer da infância, a sexta dose é realizada já na adolescência e, a partir deste momento, sua recomendação é que seja realizado um reforço a cada 10 anos a fim de manter o organismo imune. 

Mesmo que na terceira aplicação a maior parte das crianças já desenvolva imunidade, as doses extras sempre devem ser realizadas. A vacina é responsável por estimular o organismo na produção de anticorpos contra o tétanos, protegendo o indivíduo contra possíveis infecções da bactéria. 

A importância da prevenção

A vacina antitetânica serve como forma de prevenção contra a toxina produzida pela bactéria do tétano, evitando assim que o sistema nervoso sofra danos severos que podem afetar outros sistemas e levar a pessoa a morte.

Por não ter cura garantida para o tétano, a vacina antitetânica se tornou uma forma fundamental de prevenção. Em certos casos, é possível eliminar a bactéria acabando com a produção da toxina, no entanto, o que já estiver presente no corpo deve ser metabolizado.

Por ser uma doença tão destrutiva para o organismo e ter poucos recursos terapêuticos, a prevenção evita que muitos contraiam tétano, evitando consequentes riscos à vida.

Vacinas existentes contra o tétano

Existem diferentes formas de vacina antitetânica, entretanto, todas são eficazes contra a doença e algumas são eficazes contra outras também, como é o caso das vacinas combinadas. Confira a seguir, os tipos existentes de vacinas contra o tétano.

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Hexavalente e Pentavalente

São responsáveis por proteger a pessoa contra difteria, tétano, coqueluche pólio, hepatite B e Hib ( Haemophilus influenzae tipo b). Em clínicas particulares, são encontradas em forma acelular, que diminui as chances de uma reação devido à vacina não conter a célula inteira e apresentar a mesma eficácia.

DTP e dTpa

Chamada de tríplice bacteriana, essa vacina também tem a possibilidade de ser encontrada acelular em clínicas especializadas. A DTP e dTpa protege contra a difteria, tétano e coqueluche, sendo geralmente realizadas em crianças. 

ATT

A vacina antitetânica em geral é a forma principal de imunização contra o tétano em adultos, sendo composta exclusivamente pelo composto do toxóide antitetânico. Contudo, não é a única que pode ser usada em adultos.

dT

A vacina dupla adulto, como é chamada, é outra forma de imunização para adultos, contendo a combinação de agentes que protegem contra o tétano e também contra a difteria, doença grave que pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e facilmente pode ser evitada com a vacina.

Uma dúvida frequente entre as pessoas é se é melhor ser vacinado pela ATT ou pela dT. A dT é tão segura quando as outras vacinas, incluindo a ATT. Desta forma, a única diferença entre a aplicação delas é o esquema básico, sendo os reforços realizados com a dT e a imunização iniciada com a ATT.

Como a vacina antitetânica atua no organismo

O toxóide tetânico, versão quimicamente alterada da toxina, é introduzida no corpo por meio da vacina, permitindo que o sistema imunológico entre em ação. Dessa forma, a substância, que aplicada de forma segura não causa efeitos danosos como a toxina, provoca no sistema imunológico uma reação em que as células de defesa atacam o toxóide criando anticorpos apropriados para destruí-los.

Após esse processo, cópias dos anticorpos criados são guardadas pelo sistema imune, deixando-o pronto para produzi-los em grande escala caso a toxina apareça no organismo futuramente, neutralizando uma possível contaminação. 

Composição da vacina antitetânica

Além dos componentes contra outras doenças, as vacinas antitetânicas são produzidas a partir da toxina inativada do tétano, que atua como um antígeno com o objetivo de estimular a produção de anticorpos. Além disso, a vacina contém timerosal como estabilizador e hidróxido de alumínio como adjuvante vacinal.

Quando tomar a vacina antitetânica

A vacina contra o tétano deve ser aplicada em 2 situações diferentes. Uma delas é pelo calendário de vacinação, seguindo as formas corretas para imunização, e a outra é quando há risco de uma possível contaminação sendo a pessoa em risco não imunizada. Acompanhe os momentos em que a vacina deve ser considerada.

Calendário de vacinação

De acordo com o calendário de vacinação, a vacina antitetânica presente na tríplice bacteriana, ou DTP, é aplicada em 5 doses durante os primeiros 5 anos de vida da criança. As doses devem ser nos seguintes períodos:

  • 1ª dose – aplicada aos 2 meses;
  • 2ª dose – aplicada aos 4 meses;
  • 3ª dose – aplicada aos 6 meses.

Após as 3 primeiras doses, a criança é considerada imunizada, contudo, é fortemente recomendada a realização de outras 2 doses para reforço, sendo o primeiro quando a criança atingir 15 meses (1 ano e 3 meses) e o segundo aplicado aos 4 anos de idade.

Para crianças acima de 6 anos, a tríplice bacteriana não é recomendada. Portanto, em casos como este, a vacina antitetânica ou a sua combinação com a vacina contra a difteria (dT) são as indicadas, assim como para a renovação a cada 10 anos.

Após cortes e ferimentos

Ao sofrer cortes e ferimentos profundos, existe um grande risco de contaminação pela bactéria do tétano caso a pessoa nunca tenha sido imunizada. Em situações como esta, a vacina antitetânica deve ser realizada imediatamente. Caso existam dúvidas quanto a imunização, a vacina é aplicada de toda forma, como maneira de precaução. 

Administrada por um profissional de saúde treinado, a vacina é feita no músculo e, após a ocorrência de ferimentos de alto risco, é indicada a administração de 2 doses com intervalo de quatro a seis semanas para que a doença seja evitada.

Duração do efeito da vacina

A vacina antitetânica tem duração de efeito de aproximadamente 10 anos, por isso o período entre os reforços. Contudo, em casos de ferimentos e cortes, ela é reaplicada quando o paciente tenha recebido esse reforço há mais de 5 anos. Após o período, é recomendada a renovação para que o paciente possa se manter imune a doença.

Efeitos colaterais da vacina antitetânica

Apesar do que muitos relatam, os efeitos colaterais da vacina antitetânica são fracos e costumam ser locais, apresentando discreta vermelhidão e dor na área da aplicação. Contudo, devemos sempre lembrar que algumas pessoas são mais sensíveis a dor e, em outros casos, alguns outros efeitos podem estar presentes. Entre esses efeitos não tão comuns, podemos listar:

  • fraqueza;
  • dores de cabeça;
  • febre baixa;
  • cansaço;
  • irritação;
  • vômito.

Por isso, sempre após a aplicação da vacina antitetânica é recomendado que a pessoa descanse, e observe o surgimento de algum tipo de reação pois,  mesmo que sejam incomuns, podem estar presentes.

Contraindicação

Além da contraindicação para pessoas que são alérgicas a algum dos compostos da fórmula da vacina antitetânica, pacientes que estejam apresentando febre ou outros tipos de infecções também deve evitar receber a vacina durante o período. 

Essa restrição existe devido o sistema imunológico do indivíduo estar lidando com uma infecção e, caso seja inserido o toxóide nesse organismo, forçará as células imunológicas a dividirem seus esforços, fator que pode dificultar a cura da contaminação anterior.

Gestantes e a vacina

A vacina antitetânica é indicada para gestantes, contudo, alguns cuidados devem ser tomados antes da aplicação. A gestante não poderá receber a vacina tríplice bacteriana, indicada apenas para crianças. O tipo de vacina recomendado é a dT, protegendo-a contra tétano e difteria.

Devemos lembrar também que a gestante poderá receber a vacina contra tétano somente caso não tenha recebido reforços nos últimos 5 anos. Caso a imunização tenha sido realizada, a vacinação não é necessária. Ainda assim, é preciso enfatizar que gestantes devem sempre falar com seus médicos antes da vacinação, já que restrições específicas podem estar presentes.

Doses necessárias para a imunização

Como acompanhamos, o calendário de vacinação reforça que todos devem receber 6 doses de vacina antitetânica, sendo 5 ainda na infância, contidas na tríplice bacteriana (DTP) antes dos 5 anos de idade, As outras doses deverão ser de reforço, e, a partir dos 15 anos, a vacinação deve ser feita a cada 10 anos. Somente dessa maneira o indivíduo estará livre da contaminação de forma eficaz.

Vacina antitetânica e soro antitetânico

Apesar de apresentarem nomes similares, a vacina antitetânica e o soro antitetânico não são a mesma coisa. O soro é composto por imunoglobulinas (anticorpos) específicas para a neutralização da toxina do tétano. Elas são produzidas normalmente a partir de células de cavalos, e por esse motivo podem causar efeitos colaterais, como reações alérgicas.

A utilização do soro antitetânico só é indicado no lugar da vacina em casos em que não há o acesso ao toxóide tetânico, ou então, quando não exista a certeza de que já se passaram 5 anos após a última vacinação.

A eficácia da vacina antitetânica

Ainda que a vacina antitetânica seja extremamente eficiente e dificulte muito que a doença se instale no organismo, em alguns casos raros, isso pode acontecer. Por isso, para melhorar as chances da imunidade evitando que a doença se instale, além de manter a imunização em dia com os reforços necessários, é importante sempre lavar muito bem os ferimentos.

Após conhecer melhor a vacina antitetânica, você pôde perceber que essa forma de imunização ainda é a mais eficaz contra a infecção pela bactéria causadora do tétano. Por isso, confira sua carteira de vacinação e mantenha seu organismo seguro com as vacinas em dia, até mesmo recebendo-as em casa

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