Como é feita uma vacina?

Como é feita uma vacina?

9 de setembro de 2019 0 Por admin

A vacina é uma forma comprovadamente eficiente de promover a imunização da população contra uma série de doenças e infecções. No entanto, mesmo em tempos modernos nos quais a informação está disponível a poucos cliques, muitos desconhecem ou têm dúvidas quanto aos seus efeitos benéficos. Poucos sabem sequer como é feita uma vacina. E essa não é uma situação incomum.

Talvez você saiba, de forma abrangente, que o processo de fabricação de vacinas parte de extrair substâncias da doença original. Mas como isso ocorre especificamente? O que é necessário para que a vacina seja pesquisada, fabricada e disponibilizada ao redor do mundo?

Neste artigo, você entenderá mais sobre como é feita uma vacina. Desde a fabricação até a oferta à população que necessita dessa vacina, há uma longa jornada. Conhecer essa jornada já coloca você à frente quando a vacina é necessária em sua vida. Além disso, falaremos sobre as principais vacinas oferecidas pela Clínica Croce e seu histórico nesse processo. Acompanhe a seguir.

Um rápido histórico sobre as vacinas

Antes de entender o processo de como é feita uma vacina, é importante saber um pouquinho a respeito de seu histórico. 

Momentos críticos da história da humanidade são responsáveis por fazer com que surjam grandes descobertas e invenções. Para a vacina, foi a disseminação da varíola e a constatação de seus efeitos devastadores. 

Na China, ainda no Século X, naturalmente não existia a vacina moderna como a conhecemos hoje, mas sim um processo que viria a ser diferenciado da vacina no futuro como variolação. A diferença estava na prática de inocular as pessoas diretamente com uma versão bovina do vírus da varíola, pela via nasal. O primeiro registro dessa prática data do século XV, na China.

Mais à frente na história, temos a fabricação da primeira vacina moderna em 1976. Edward Jenner, médico britânico, avançou na descoberta de imunização de seus pacientes infectados com varíola. Novamente, o princípio era semelhante ao que já ocorria na China no século XV. A diferença estava na formulação e na identificação do agente causador da doença.

Cabe ressaltar que uma vacina é feita com o intuito de que, ao atingir o sistema imunológico, proteja o paciente. Dessa forma, é possível controlar doenças infecciosas e impedir que microrganismos como vírus e bactérias espalhem em uma população. Para isso, é preciso identificá-lo, antes de tudo. Em algumas doenças, o vírus ou a bactéria hospedada não necessariamente é a causa principal. Existem outros microrganismos que produzem a substância. Nesse sentido, a vacina funciona de certa forma como um antivírus em um computador, explorando os mecanismos dos vírus e das bactérias e minimizando sua multiplicação. 

As pesquisas e processos de fabricação de uma vacina são constantes e incrementais. Além de microrganismos de natureza complexa, como o HIV, temos mutações constantes de bactérias e vírus de vacinas já desenvolvidas. Portanto, o investimento em produzir e pesquisar soluções otimizadas apresenta uma grande demanda.

Processo de fabricação de uma vacina

O Brasil, de acordo com dados, é autossuficiente na produção de vacinas imunobiologicas. Além disso, é responsável por exportar vacinas para mais de 70 países.

Para que a fabricação da vacina seja possibilitada, é preciso enfrentar um longo processo. Se apenas a produção pode durar meses, a etapa anterior de pesquisa pode levar de pares de anos a décadas para ser concluída.

De modo geral, existem muitas formas de abordar como é feita a vacina. Cada estratégia tem seus pontos positivos e desafios. São elas:

Enfraquecer o vírus

Uma doença nada mais é do que a contaminação e multiplicação desses microrganismos no corpo. O vírus, que normalmente se multiplicaria velozmente, tem seu ciclo de reprodução controlado. Ao criar uma versão enfraquecida do vírus, o sistema imunológico pode gerar células que farão parte da camada de proteção da pessoa no futuro. As vacinas de rubéola e catapora, por exemplo, foram desenvolvidas dessa forma.

Eliminar o vírus

Ao invés de criar uma versão fraca do vírus que não cause a doença, é criada uma substância que mata o vírus. Com esse composto químico, o vírus ou a bactéria não se reproduz a tempo de espalhar a doença. Doses de vacina contra hepatite A e injeções contra raiva, por exemplo, nasceram desse método. 

Dessa forma, com a eliminação do vírus, sintomas podem ser prevenidos e até pacientes em um quadro imunológico mais frágil podem tomar a vacina. Em contrapartida, é feita uma vacina com múltiplas doses, que devem ser tomadas de tempos em tempos para garantir a imunidade.

Remover parte do microrganismo

Em alguns casos, é feita uma vacina que utiliza parte do vírus em sua composição, coletado a partir de proteínas de sua superfície. Quando o sistema imunológico responde a uma parte do vírus, essa é a estratégia mais indicada para se fazer uma vacina. Alguns exemplos de vacinas feitas a partir de partes removidas do vírus causador da doença são a vacina contra o HPV e a contra a hepatite tipo B. 

Vacinas desenvolvidas a partir desse método podem ser administradas em pessoas com imunidade mais prejudicada e garantem imunidade após três doses.

Agentes tóxicos de bactérias também podem ser isolados e desativados nesse processo. Com isso, a doença é prontamente eliminada. Ou, ainda, os açúcares da bactéria são separados, garantindo que o sistema imunológico aja sobre essa camada. Vacinas contra o tétano e a difteria, por exemplo, são produzidas a partir desse processo. 

Etapas de fabricação: como é feita uma vacina?

Considerando essas estratégias, vamos ao processo em si de como é feita uma vacina. As etapas, de forma geral, são as seguintes:

1. Pesquisa e coleta de amostras

Para que a vacina seja fabricada de forma efetiva, são necessários períodos extensos de pesquisa. Como já vimos, essa fase pode tomar tempo considerável. São equipes de cientistas e médicos investindo de 10 a 15 anos, para desenvolverem uma solução efetiva e viável. Além disso, é um processo de cobertura global. Todos os países possuem centros de vigilância para a coleta de amostras que possam viabilizar a fabricação.

Um exemplo desse processo pode ser conferido na vacina contra a gripe influenza, que precisa ser refeita todos os anos. Com isso, vírus são encubados em ovos e subtipos são analisados de acordo com sua mutação. 

2. Descoberta e desenvolvimento

De acordo com a vacina, diferentes agentes podem ser combinados, enfraquecidos ou ativados. Essa é a etapa em que a estratégia escolhida para que seja feita a vacina será aplicada.

A partir da identificação de amostras e as características desejadas para a imunização dos pacientes, a vacina é, então, desenvolvida.

3. Testes pré-clínicos e clínicos

Autoridades regulatórias exigem que testes rigorosos sejam feitos com toda vacina que é desenvolvida. Esses órgãos podem ser locais ou internacionais, como veremos a seguir. A partir de diretrizes rígidas, testes são realizados em laboratórios. Primeiramente, cobaias são utilizadas. Após o período pré-clínico, são realizados testes de estudos clínicos em pessoas.

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O intuito de tais testes é ter a certeza de que a nova vacina é segura e que, de fato, ela age no foco da doença. Além disso, eles são importante fonte de dados preliminares que podem contribuir para impedir que a doença se dissemine. Inicialmente os testes agem sobre um pequeno grupo, depois sobre uma amostragem maior, para garantir eficácia e definir a dosagem ideal. Por fim, são feitos estudos que possam identificar possíveis efeitos colaterais, dentro das normas dos órgãos reguladores que aprovarão a vacina.

4. Liberação dos órgãos reguladores da vacina

Todos os dados desse período de coleta são, então, encaminhados para os órgão competentes, tais como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nessa etapa, é realizado um pedido formal para que a vacina seja aprovada para fabricação. 

Nesse pedido de liberação, consta um relatório com informações sobre a doença, a forma como ela atuará no corpo, quais são as restrições, formas de aplicação da vacina e cuidados a serem tomados. A decisão final passará a estar na mão dos órgãos reguladores. Ou seja, órgãos governamentais têm a responsabilidade nas etapas seguintes em disponibilizar e permitir que profissionais prescrevam a vacina.

5. Fabricação do produto

A Anvisa realiza uma divulgação anual das marcas de vacina que podem ser distribuídas e comercializadas no Brasil. Vacinas como a desenvolvida contra a influenza requerem orientações dos dados coletados pela OMS. De acordo com a estratégia ideal, é extraída a matéria-prima para a vacina.

Nesse contexto, é importante que o paciente confira as listas divulgadas pela Anvisa e demais órgãos responsáveis para, na clínica de sua preferência, poder conferir a procedência da dose que será aplicada.

6. Distribuição das vacinas para a população

De acordo com uma procura projetada pela imunização, os laboratórios fabricantes das vacinas realizam a distribuição em locais autorizados, como clínicas particulares, que, por sua vez, administram as doses. 

O número de doses de vacina a ser produzido já é calculado para que essa demanda seja atendida adequadamente. Desse modo, a margem estipulada e o agendamento das remessas é feito de acordo com as solicitações dos locais de vacinação. Lotes de vacina enviados por laboratórios abastecem as rede privadas, de acordo com requisitos legais dos órgãos regulatórios.

Como foram feitas algumas das principais vacinas?

Conheça agora como foram desenvolvidas algumas das principais vacinas disponibilizadas pela Clínica Croce.

Tríplice bacteriana (Difteria, Tétano, Coqueluche)

A tríplice bacteriana tem sua origem em 1888. Os bacteriologistas Emile Roux e Alexander Yersin descobriram que era possível extrair e injetar doses da toxina produzida pelo bacilo da difteria. Isso gerava moléculas antitóxicas que, quando transferidas para outros animais, imunizava-os.

O grande responsável por comprovar essa descoberta na prática foi Emil Behring, ganhador do primeiro Nobel de Medicina. Além da difteria, o processo chamado soroterapia foi aplicado também contra o tétano, partindo-se do mesmo princípio.

A terceira parte da tríplice, a coqueluche, foi resultante de imunizantes desenvolvidos em 1942, por Louis Sauer, Pearl Kendrick e Grace Eldering. Kendrick descobriu que a vacina tinha maior efetividade unindo toxóides diftéricos e tetânicos. Dessa forma, nasceu a tríplice bacteriana.

A composição da tríplice bacteriana, unindo o antígeno da coqueluche aos toxóides tetânicos e diftéricos, faz com que a reação da vacina pelo sistema seja leve, raramente causando efeitos colaterais. Sua efetividade é altamente importante para prevenir casos de difteria, coqueluche e tétano, doenças bacterianas graves, podendo ser tomada por crianças e adultos.

Hepatite A e Hepatite B

A hepatite, ou inflamação do fígado, pode ser causada pelo vírus ou pelo uso excessivo de álcool, medicamentos e outras drogas. No Brasil, os vírus causadores de hepatite mais comuns são os do tipo A, B e C.

Uma grande responsável pelo desenvolvimento de vacinas contra a hepatite do tipo B foi a tecnologia do DNA. A engenharia genética tornou possível que o genoma do vírus pudesse ser selecionado, partido e inserido em um fungo, microrganismo que não causa doença ao ser humano. Isso produz uma proteína do vírus da hepatite B, gerando anticorpos.

É importante ressaltar que a vacina contra hepatite B apresenta alta eficácia, cobrindo de 80% até 100% dos casos. Juntamente com a vacina contra a hepatite A, sua prevenção permanece eficaz por até 10 anos desde a administração de sua primeira dose. Por isso, é recomendada a aplicação da vacina contra hepatite em crianças de até 2 anos.

Influenza (Gripe)

O histórico de vacinas contra a gripe data da década de 1930. Os vírus tipo A, B e C, causadores da influenza, foram descobertos por pesquisadores em 1933. A primeira vacina contra gripe teria sido desenvolvida para as forças militares americanas, em 1938.

Surtos de gripe famosos na história, como a gripe suína em 1979, tiveram campanhas massivas de vacinação voltadas para a sua prevenção. Atualmente, a vacina contra influenza é feita com a inoculação em ovos, criando versões controladas do microrganismo agente da doença.

De acordo com uma declaração do presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), a eficiência da vacina contra influenza e seus subtipos (H1N1, H3N2) cobre de 60% a 70% dos casos. Ainda assim, é importante que seja feita a prevenção. O vírus sofre mutação frequente e novos imunizantes são desenvolvidos constantemente para que a eficácia atinja um padrão acima da média.

Antipneumocócicas

Tratam-se das vacinas que agem contra a bactéria streptococcus pneumoniae, podendo causar pneumonia, meningite e sepse. As vacinas antipneumocócicas podem ser conjugadas ou polissacáridas, o que gera uma resposta de maior duração por parte dos anticorpos.

A recomendação da OMS é de que vacinas antipneumocócicas conjugadas sejam administradas em três ou quatro doses, em planos de vacinação para crianças. Sua eficácia pode chegar a até 93% de prevenção dos casos. Já sua composição polissacárida é mais eficaz em adultos e pessoas com o sistema imunitário estável.

Vacinação na Clínica Croce

Como vimos, vacinação é assunto muito sério, que não deve ser tratado com leviandade ou negligência. Esse é um recurso fundamental para garantir, em todas as fases da vida, imunização contra uma série de doenças, nos ajudando a ter mais saúde e bem-estar.

Compreendendo essa importância, a Clínica Croce oferece um calendário completo de vacinação que contempla as principais vacinas para proteger você e sua família contra diversos males. Lembre-se: a prevenção é sempre a melhor estratégia para cuidar de você e de quem você ama.

Em nossa clínica, você encontrará um ambiente acolhedor e seguro para imunizar-se. São mais de 40 anos de experiência que garantiram que a Croce se tornasse referência no segmento. Ainda, para instituições como escolas e condomínios, a clínica disponibiliza o serviço in loco, por meio da visita de profissional para sanar dúvidas, conferir carteirinhas e organizar uma campanha de vacinação no local em data e horário mais conveniente para os pacientes.

Então, agora que você já sabe como é feita uma vacina, é o momento de mantê-las em dia! Prevenir-se contra doenças que podem acabar com sua rotina é simples e prático. Inicie agora mesmo seu atendimento e teremos o maior prazer em ajudar.

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