Entenda os benefícios e riscos da adrenalina autoinjetável

Entenda os benefícios e riscos da adrenalina autoinjetável

1 de setembro de 2021 Off Por Editor

Algumas reações alérgicas, em diversas situações, podem apresentar risco e comprometer a saúde e o bem-estar do corpo. Por isso, elas devem ser tratadas de forma adequada e em tempo hábil, por meio de medidas específicas, como o uso da adrenalina autoinjetável.

A utilização desse medicamento deve ser realizado conforme indicação médica, após investigação pelo tipo de alergias e reações apresentadas. Por isso, soluções como a adrenalina autoinjetável não são recomendadas para qualquer situação, mas somente em casos pontuais.

Ou seja, cada caso de alergia difere, e precisa ser investigado para a execução do tratamento adequado. Algumas reações tendem a desaparecer sozinhas, entrando em remissão. Já para outras, é preciso manter o uso de medicamentos para controle, quando são doenças crônicas. Além disso, em situações graves, a administração da adrenalina autoinjetável deverá sempre estar disponível. A seguir, entenda melhor o uso dessa medicação, seus benefícios, recomendações e riscos.

O que é adrenalina?

A adrenalina é um medicamento com potente efeito antiasmático, vasopressor e estimulante cardíaco. Ele pode ser utilizado em situações de urgência e, por isso, a adrenalina autoinjetável é normalmente transportada por pessoas que apresentam grande risco de reação alérgica grave.

Após o uso do remédio, é muito importante que a pessoa procure atendimento médico em um hospital ou consultar o médico que receitou o seu uso. A adrenalina, também conhecida como epinefrina, é vendida em farmácias somente com receita médica, na forma de seringa ou caneta, com dose para injetar no músculo.

O que é adrenalina autoinjetável?

A adrenalina é o medicamento usado nos casos de reações graves, em que ocorre a anafilaxia e/ou choque anafilático. Por isso, a adrenalina autoinjetável é uma forma de permitir que a pessoa em crise possa realizar a automedicação, com prescrição e orientação médica. 

Dessa forma, é possível evitar a piora do quadro que, quando não tratado a tempo, pode causar a morte. O medicamento é administrado de forma injetável e intramuscular, de modo a controlar as reações no organismo rapidamente. 

Essa alternativa é muito eficiente e pode reverter o quadro de anafilaxia, evitando a morte em poucos minutos. A versão da adrenalina autoinjetável se tornou uma possibilidade muito eficiente para as pessoas mais vulneráveis ao desenvolvimento de manifestações alérgicas de grandes proporções. 

Quando a adrenalina autoinjetável é indicada?

A adrenalina autoinjetável é indicada para o tratamento de situações de emergência, com reações alérgicas graves ou anafilaxia, comumente provocada por alimentos, medicamentos, picadas ou mordeduras de insectos e outros alergênios. 

Muitas pessoas, alérgicas ou não, não sabem o que é anafilaxia. Essa condição é uma reação alérgica grave, que, quando não tratada rapidamente, pode ser fatal. A anafilaxia é desencadeada pelo próprio organismo, quando há uma reação a certo tipo de alérgeno que, por sua vez, pode ser um alimento, medicamento, veneno de inseto, substância ou mesmo um material.

A reação anafilática tem início súbito, e pode se desenvolver em poucos minutos ou algumas horas, causando o surgimento de sintomas característicos, como a queda da pressão arterial, inchaço dos lábios, boca e dificuldade para respirar.

Quando há suspeita de sintomas semelhantes como o que a anafilaxia causa, recomenda-se que a pessoa seja encaminhada imediatamente à emergência médica. Dessa forma, o diagnóstico e tratamento pode ser feito o mais rápido possível. Em geral, o tratamento consiste na administração de medicamentos injetáveis para interromper a ação e monitoração dos sinais vitais.

Essa é uma reação alérgica crítica, que surge em consequência da anafilaxia.

O choque anafilático é caracterizado por grande dificuldade para respirar e intensa vasodilatação. Isso promove complicações para irrigar os tecidos de forma adequada. Essa condição clínica é extremamente grave e, quando não é adequadamente tratada, pode causar a morte da pessoa. 

A melhor maneira de tratar o choque anafilático é ser encaminhado imediatamente para a emergência hospitalar. Já, para casos de tratamento para a anafilaxia, é indicado o uso da adrenalina, também em ambiente intra-hospitalar.

Ela deve ser injetada imediatamente, logo após a constatação da crise. A dose usada para adultos é de 0,3-0,5 mg de solução administrada por via intramuscular, a cada 10 ou 20 minutos, ou quando necessário. 

Já a dose para crianças é de 0,01 mg/kg até o máximo de 0,3 mg também intramuscular a cada 5 ou 30 minutos, se necessário. As doses menores, como 0,1 mg a 0,2 mg administradas se necessário, são comumente adequadas para o tratamento da anafilaxia leve, e muitas vezes, é associada ao teste cutâneo alérgico ou imunoterapia.

O que causa a anafilaxia?

Muitas pessoas apresentam reações acentuadas a insetos, sejam por picadas ou mesmo ao contato com a pele. Qualquer inseto pode provocar a reação, contudo, a maioria dos casos são causados por abelhas e vespas. Já as medicações mais conhecidas por causas o que é anafilaxia, são:

  • Penicilina;
  • Aspirina;
  • Ibuprofeno;
  • Naproxeno;
  • Dipirona;
  • Suxametônio;
  • Alcurônio;
  • Vecurônio;
  • Pancurônio; 
  • Atracúrio;
  • Anti-inflamatórios, em geral.

O choque anafilático pode ser causado por diferentes tipos de substâncias que, ao entrar em contato com o corpo da pessoa que sofre com a alergia, mesmo que em pequenas quantidades, desenvolve uma reação rapidamente. 

Essas reações, mais comuns em crianças, são causadas com mais frequência por alimentos, insetos e medicamentos. Até mesmo o cheiro de algo pode resultar no aparecimento de sintomas da reação. A seguir, confira os principais alimentos que causam o que é anafilaxia.

  • Amendoins;
  • Peixes;
  • Mariscos;
  • Ovos;
  • Leite;
  • Soja;
  • Trigo;
  • Mariscos;
  • Nozes;
  • Avelã;
  • Castanha de caju;
  • Pistache;
  • Amêndoas.

A maior parte das pessoas que são sensíveis a estes remédios normalmente vão começar a desenvolver a anafilaxia assim que for iniciado o tratamento medicamentoso com a substância responsável pela reação.

O contraste usado em exames de raio-x também é um agente que pode causar o choque anafilático. Este é um tipo de corante utilizado para alguns testes, que ajudar a mostrar determinada parte do corpo de maneira mais clara. Ainda que o risco por anafilaxia seja baixo, ele pode acontecer.

Da mesma forma, o látex é uma substância que está presente em diferentes objetos, assim como equipamentos médicos, preservativos, borrachas, e mais itens que, ao entrar em contato com a pele da pessoa alérgica, pode desenvolver o que é anafilaxia.

Qual a importância da adrenalina autoinjetável?

A adrenalina autoinjetável é o medicamento mais eficaz para os casos em que a crise alérgica evolui de forma rápida e grave, comprometendo dois ou mais sistemas do corpo, causando a anafilaxia. 

Por se tratar de uma versão que permite ser levada para qualquer lugar, ela é indicada para indivíduos que tem o uso recomendado e que desejam transportá-la de um ambiente para o outro, possibilitando sua rápida aplicação.

A adrenalina autoinjetável deve ser administrada assim que os primeiros sinais e sintomas da anafilaxia são identificados, impedindo que eles avancem progressivamente no organismo. 

O médico alergologista deve informar ao indivíduo propenso as crises o chamado plano de ação, para que o próprio paciente consiga identificar prontamente a reação e possa administrar a adrenalina autoinjetável de forma correta e eficaz. Além disso, a pessoa deve procurar, de forma urgente, o atendimento medico, mesmo após a aplicação, para dar seguimento ao tratamento da reação.

A eficácia da adrenalina durante a anafilaxia acontece devido à ação que a substância promove, causando algumas alterações no organismo. Entre elas, estão:

  • Dilatação dos brônquios, facilitando a respiração;
  • Diminuição do inchaço nas vias respiratórias;
  • Melhora na pressão arterial, circulação do sangue e dos batimentos cardíacos.

Nesse contexto, a adrenalina autoinjetável auxilia na recuperação do quadro com rapidez, melhorando os sinais de reações graves no corpo, do tipo anafilaxia e choque anafilático.

A adrenalina autoinjetável é uma alternativa muito vantajosa, já que possibilita a administração durante o quadro grave pela própria pessoa em risco, de forma rápida e eficiente. Para os que são atingidos pelas reações alérgicas, é, sem dúvidas, o melhor e mais importante meio de tratamento emergencial disponível.

No entanto, ainda que seja uma alternativa fundamental, o acesso à adrenalina autoinjetável é bastante dificultado no país. Ainda não existem registros do medicamento nesse formato para comercialização. Dessa forma, os que precisam da adrenalina autoinjetável devem solicitá-la por importação, fator que deixa seu custo elevado.

Atualmente, existe conformidade em recomendar a adrenalina autoinjetável como primeira droga em situações de anafilaxia ou choque anafilático. Por isso, nada justifica o atraso do uso desse medicamento em uma doença tão grave. 

Na evolução da crise anafilática, o comprometimento do sistema respiratório e cardiovascular pode resultar em choque e parada cardiorrespiratória em apenas 10 a 15 minutos. Principalmente em anafilaxia causada por drogas e por insetos.

Nesse tempo, 35% da volemia pode ser perdida para o espaço extravascular, sendo uma reação natural de defesa do corpo diante da substância agressora. As pessoas com doenças de base, como asma, cardiopatias, usuários de medicações inibidoras de ECA (enzima conversora de angiotensina) ou betabloqueadores são as que apresentam maior risco.

A ingestão de álcool, AINEs (anti-inflamatórios não-esteroides), viroses, período menstrual, uso de antiácidos, aumento da temperatura corporal e atividades físicas podem potencializar reações alérgicas ou desencadear anafilaxia em pacientes mais suscetíveis.

Caneta de adrenalina autoinjetável

A caneta de adrenalina autoinjetável é o medicamento a base da substância responsável por controlar e diminuir as reações alérgicas graves. Seu uso ajuda pacientes com histórico de anafilaxia, diminuindo as reações alérgicas rapidamente e proporcionando tempo hábil para obter ajuda médica necessária.

O modo de utilização da adrenalina deve ser feito conforme as indicações do médico responsável pela prescrição do uso deste medicamento. Para uso correto, a pessoa afetada pela crise deve seguir as orientações do profissional. As principais são:

  • Ao identificar os sinais e sintomas, manter a calma;
  • Retirar a caneta de adrenalina autoinjetável do interior do estojo;
  • Remover a trava de segurança;
  • Agarrar a caneta com uma mão;
  • Pressionar a ponta da caneta contra o músculo da coxa até ouvir um pequeno clique;
  • Esperar entre 5 a 10 segundos antes de retirar a caneta da pele.

O efeito da adrenalina autoinjetável é muito rápido. Por esse motivo, se o paciente não sentir melhora em menos de 1 minuto, poderá repetir a dose, desde que utilize outra caneta. Caso não exista outra opção disponível, é importante chamar imediatamente uma ambulância e ser encaminhado ao hospital.

adrenalina autoinjetável

Possíveis efeitos colaterais da adrenalina

O benefício do uso da adrenalina autoinjetável é muito superior aos seus efeitos, visto que existe risco de vida para a pessoa que está sofrendo uma reação alérgica grave. Os principais efeitos colaterais da adrenalina incluem:

  • Palpitações;
  • Aumento dos batimentos cardíacos;
  • Suor excessivo;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Dificuldade em respirar;
  • Tonturas;
  • Fraqueza;
  • Palidez da pele;
  • Tremor;
  • Dores de cabeça;
  • Nervosismo e ansiedade. 

Apesar de todos os seus benefícios, a adrenalina não é uma substância isenta de riscos, considerando que o medicamento possui uma janela terapêutica estreita. Isto é, a dose efetiva é próxima da dose tóxica, e mesmo letal. 

Ainda que administrada em doses corretas, o paciente pode apresentar sintomas como agitação, ansiedade, tremores, tontura, palidez e palpitações. Caso a adrenalina seja realizada por via endovenosa de forma rápida, ou mesmo por via intramuscular em uma dose excessiva, pode causar prejuízos ao organismo, provocando isquemia miocárdica, infarto, edema pulmonar, arritmias ventriculares, hipertensão arterial grave e hemorragia intracraniana.

Outro ponto importante que deve ser considerado é a interação da adrenalina com outros medicamentos comumente utilizadas. Alguns remédios podem interagir com a adrenalina e:

  • Diminuir sua eficácia, como os bloqueadores beta-adrenérgicos;
  • Concorrer com seu efeito compensatório à hipotensão, como inibidores de ECA e bloqueadores de receptor de angiotensina II;
  • Dificultar a metabolização da adrenalina, levando ao aumento da concentração sérica acima de níveis terapêuticos, como antidepressivos tricíclicos;
  • Ou facilitar sua toxicidade por meio do aumento da sensibilização do miocárdio.

Uma situação considerada de grande risco na prática clínicas são com pessoas que sofrem de doenças coronarianas, especialmente os mais idosos, que desenvolvem anafilaxia. 

Em casos como estes, a crise pode ser extremamente agressiva em um miocárdio que já está danificado por uma doença isquêmica. Apesar dos possíveis efeitos colaterais, o risco de não utilizar a adrenalina de forma adequada quando indicada supera em muito o risco das complicações do seu uso. 

Mesmo em pessoas portadoras de cardiopatias e idosos, a relação de risco/benefício indica a utilização consciente da adrenalina, já que não existe nenhum outro medicamento que substitua o mesmo. 

Ou seja, não existe nenhuma contraindicação absoluta para o uso de adrenalina na crise de anafilaxia. Apesar da dificuldade que se apresenta para sua utilização em pessoas com doenças cardiovasculares, o risco da não utilização de forma adequada, até mesmo em dose mínima, deve ser considerado diante do dano acarretado pelo desenvolvimento de uma anafilaxia mais grave, com comprometimento do próprio coração, de vários outros órgãos e a morte. 

Todos os protocolos existentes atualmente definem de forma clara o uso da adrenalina autoinjetável como droga de primeira linha no tratamento de anafilaxia para qualquer tipo de paciente. 

Ainda que os anti-histamínicos anti-H1 aliviem o prurido e a urticária, os anti-H2 possam potencializar seus efeitos, dando alívio adicional à urticária, os corticoides possam prevenir anafilaxia bifásica, e drogas beta-adrenérgicas seletivas, tenham importante efeito broncodilatador, nenhum desses medicamentos devem ser usados como primeira linha. 

Afinal, eles não possuem efeito alfa-agonista que promova vasoconstricção. Ou seja, não possibilitam evitar o desencadeamento de choque e obstrução da via aérea alta por edema de laringe. 

Desta maneira, não há dúvidas em relação ao uso correto de adrenalina autoinjetável como droga de primeira escolha, usada o mais rápido possível, como forma de evitar a morte em pacientes com anafilaxia.

Como vimos, o uso da adrenalina autoinjetável é o recurso mais indicado para aqueles que sofrem de reações alérgicas graves, como anafilaxia. Consequentemente, aqueles que correm o risco de desenvolver um choque anafilático podem ter primeiro tratamento adequado em pouco segundo, com o uso desse dispositivo, diminuindo os riscos de prejuízo à saúde. 

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