Como lidar com uma crise de asma?

Como lidar com uma crise de asma?

19 de outubro de 2021 Off Por Editor

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 300 milhões de pessoas têm asma no mundo. Atualmente, a crise de asma é a quarta maior causa de hospitalização no Brasil. 

Ainda que seja um problema comum, a asma está entre as doenças crônicas mais prevalentes, podendo ter quadros complicados até ao óbito. Estima-se que uma em cada quatro das crianças em idade escolar tenham asma. Para ressaltar a gravidade da doença, só no Brasil, três pessoas morrem em decorrência da asma por dia. 

Por esse motivo, as pessoas que apresentam a doença devem manter familiares e amigos informados sobre isso, assim como ensiná-los sobre o que fazer na crise de asma de alguém próximo.

Para ajudá-lo a entender mais sobre a doença, os sintomas característicos, tipos e como agir numa crise de asma, desenvolvemos o artigo de hoje. Continue a leitura e tire suas dúvidas sobre o assunto!

O que é asma?

A asma consiste em uma doença inflamatória considerada crônica, não contagiosa, que afeta as vias aéreas e causa o estreitamento dos brônquios (tubos que levam o ar para dentro dos pulmões). Essa ação dificulta a passagem do ar e compromete a respiração do indivíduo. Sua incidência é maior nas regiões Sul e Sudeste do país. 

Além disso, meninos são mais propensos do que as meninas a serem diagnosticados com asma na infância. Contudo, na idade adulta, as mulheres são diagnosticadas com mais frequência do que os homens.

Por vezes, a asma é confundida com a bronquite, no entanto, tratam-se de casos diferentes. A asma é um problema crônico, relacionado a fatores genéticos e ambientais. A bronquite, por sua vez, tende a ter duração limitada, desencadeada por vírus e bactérias.

A asma pode apresentar diferentes níveis de gravidade, classificados como: 

  • Asma intermitente: quando os sintomas do paciente se manifestam até dois dias por semana e não prejudicam suas atividades cotidianas;
  • Asma leve persistente: ocorre quando os sintomas se manifestam mais do que duas vezes por semana e afetam levemente as atividades cotidianas do paciente;
  • Asma moderada persistente: quando os sintomas se manifestam diariamente e prejudicam algumas atividades cotidianas;
  • Asma grave persistente: ocorre quando os sintomas se manifestam diariamente, com crise de asma que prejudica excessivamente as atividades cotidianas do paciente. Estima-se que entre 5% e 10% dos casos de asma estejam nessa categoria.

É importante saber que, mesmo em caso de classificação de asma leve, sem o devido controle e tratamento, pode ocorrer uma crise de asma mais grave, com risco de morte. 

É comum que as crianças superem as crises de asma, entretanto, os sibilos (chiados no peito) podem permanecer até a vida adulta, ou mesmo a asma voltar a manifestar-se alguns anos depois. 

Sintomas da crise de asma

Na crise de asma, a dificuldade de respirar é caracterizada da seguinte forma: é mais fácil expirar do que inspirar, uma vez que o ar viciado permanece nos pulmões provocando sensação de sufoco. Em geral, os sintomas da asma podem piorar à noite ou pela manhã. Entre os principais sintomas da crise de asma, estão:

  • Tosse seca e intermitente;
  • Sibilos (chiado no peito);
  • Falta de ar;
  • Dificuldade ou cansaço para respirar;
  • Respiração curta e rápida;
  • Sensação de pressão no peito;
  • Desconforto torácico.

O paciente pode manter-se assintomático por longos períodos, sobretudo quando adota as iniciativas de controle ambiental recomendadas pelo médico. Isso porque, quando há exposição a fatores irritantes — como fumaça de cigarro, poluição, pó, entre outros — ou se desenvolvem infecções, é comum haver retorno persistente dos sintomas da doença. 

Quando não tratados os sintomas, a crise de asma pode levar a pessoa até mesmo a uma parada cardíaca. Portanto, ao observar a manifestação dos sinais, é fundamental buscar diagnóstico e tratamento adequado para o problema. A seguir, conheça os tipos de asma e como são classificadas de acordo com sua causa. 

Asma alérgica

A asma alérgica, ou asma induzida por alergia, acontece quando a doença é desencadeada por um alérgeno, sendo mais comum em crianças. De acordo com informações trazidas pelo relatório Global Strategy for Asthma Management and Prevention, de 2018, ela afeta entre 50% e 70% dos pacientes com quadro de asma.

A crise de asma acontece quando o sistema imunológico considera uma substância inofensiva como perigosa, fazendo com que o corpo tenha reações exageradas para atacar a substância.

Nesses casos, o tratamento pode ser realizado com medicamentos ou, ainda, em situações de asma alérgica moderada ou grave, são recomendadas as infusões de medicamentos, que funcionam realizando um bloqueio da imunoglobulina E (IgE), substância produzida pelo nosso organismo e exerce influência expressiva nos quadros de asma alérgica.

Asma intrínseca

Conhecida como asma criptogenética, a asma intrínseca tem suas causas desconhecidas, e suas crises não são estimuladas por nenhum elemento precipitante externo. Esse tipo é mais comum em adultos. 

Asma profissional ou asma ocupacional

Esse tipo de asma é aquele que se desenvolve a partir de gatilhos encontrados no ambiente, tais como látex, metais, produtos agrícolas, farinhas, entre outros. Há estimativas de que essa condição já some até 20% do total de casos de asma nas nações industrializadas.

Asma por medicamentos

Para as pessoas sensibilizadas, existem medicamentos convencionais que podem gerar alguns efeitos adversos, entre eles, a asma por medicamentos. Determinados princípios ativos, como os da aspirina, podem desencadear o problema em organismos com hiperreatividade.

Asma induzida pelo exercício

Esse quadro ocorre quando o indivíduo apresenta crise de asma somente ao realizar esforço ou atividade física, em especial, as de mais alta intensidade. É importante ressaltar que o paciente asmático não está impedido de praticar exercícios físicos, pelo contrário, eles podem ter um efeito positivo em sua vida. 

Há, inclusive, diversos esportistas com essa condição. Estima-se que, em uma Olimpíada, o índice de atletas asmáticos seja de 10%. Portanto, é importante conversar sempre com o médico para definir um plano adequado e seguro de exercícios para cada caso em específico. 

Quais os fatores estimulantes para a crise de asma?

Os fatores que estimulam a crise de asma podem variar conforme o caso de cada pessoa, assim como o tipo de asma. Contudo, existem alguns elementos que comumente agravam os sintomas e podem levar a crises. Entre eles, estão:

  • Ácaros: esses microorganismos habitam nossos colchões, travesseiros, tapetes, estofados, cortinas, entre outros, em busca de alimentos (descamação de pele). Esses seres pioram os sintomas e podem aumentar a inflamação dos brônquios dos asmáticos;
  • Fungos: esses microorganismos gostam de ambientes escuros, úmidos e mal ventilados. Portanto, podem ser encontrados em paredes, fendas de superfícies, entre outros espaços. Estes também exercem potencial nocivo para a saúde do paciente asmático;
  • Fumaça de cigarro: esse elemento pode até mesmo agravar o quadro de asma e a inflamação dos brônquios;
  • Pelos de animais de estimação: além desses, a descamação da pele, a saliva e a urina do pet podem estimular as crises de asma;
  • Outros elementos: exposição a pólen, fezes de barata, ar excessivamente frio, poluição do ar, perfumes fortes, ativos de produtos de limpeza, conservantes e aditivos alimentares, gripes e resfriados, estresse, doença do refluxo gastroesofágico (uma condição em que os ácidos do estômago retornam à garganta).

Como aliviar a crise de asma?

Para aliviar a crise de asma, é importante que a pessoa que esteja sofrendo com os sintomas mantenha a calma, se coloque em uma posição confortável e recorra a sua bombinha. 

Contudo, em situações em que o medicamento não esteja por perto, é importante acionar ajuda médica assim que sentir os primeiros sintomas, tentando controlar a respiração até a ajuda chegar.

O que fazer numa crise de asma?

Para quem sofre com crise de asma, é fundamental manter um plano de ação junto com o médico. Esse plano deve incluir medidas que devem ser tomadas no momento em que a crise for iniciada, e inclui andar com números de telefones de emergência e contato de familiares e amigos, caso a crise aconteça em locais desconhecidos. Além disso, é essencial seguir os seguintes passos:

  • Pare o que está fazendo no momento e mantenha a calma, interrompa exercícios, sente-se, diminua o ritmo e comece a se concentrar na sua respiração;
  • Puxe o ar pelo nariz e deixe-o sair pela boca, de forma pausada, com calma;
  • Utilize a bombinha de medicamento de forma correta e com calma, evitando o uso incorreto por nervosismo;
  • Afaste-se do gatilho, se puder identificar algo que possa ser a causa da crise de asma. Caso tenha sido exposto a algum agente, tome um banho, lave a pele e cabelos, limpe o nariz e use soro fisiológico;
  • Peça ajuda a familiares e amigos próximos;
  • Caso a crise não melhore, ligue para o serviço de urgência e mantenha a concentração em sua respiração até o atendimento.

Conhecer o plano de ação para a crise de asma e colocá-lo em prática é uma forma de garantir o melhor atendimento e tratamento dos sintomas, evitando o agravamento e complicações que podem levar à morte.

Como ajudar alguém com crise de asma?

A crise de asma surge com sintomas que são preocupantes, como falta de ar e dificuldade para respirar. Por esse motivo, é muito importante manter-se em alerta a qualquer sinal de extrema urgência. Ao presenciar alguém com uma crise de asma, coloque em prática os seguintes procedimentos:

  • Acalme a pessoa com crise de asma;
  • Ajude-a a sentar em uma posição que seja confortável;
  • Incline o tronco dela ligeiramente para frente, colocando cotovelos para repousar nas costas da cadeira, ajudando assim a melhorar a respiração;
  • Pergunte sobre algum remédio para asma, como a bombinha, e ajude-a a aplicá-lo;
  • Caso a bombinha não esteja por perto e a crise não melhore, chame a ambulância rapidamente.

Como prevenir crise de asma

crise de asma

Ainda que a asma muitas vezes aconteça sem uma causa aparente, é possível controlar crises e prevenir que elas aconteçam colocando em prática algumas medidas simples, como:

  • Mantenha o ambiente sempre limpo e arejado;
  • Evite o acúmulo de sujeira ou poeira;
  • Tome sol para melhorar o sistema imunológico;
  • Evite cheiros fortes;
  • Tome a vacina da gripe;
  • Não fume;
  • Evite contato com pessoas que fumam;
  • Mantenha-se agasalhado em épocas de frio;
  • Pratique atividades físicas regularmente;
  • Tenha uma alimentação saudável;
  • Beba bastante água;
  • Mantenha o peso ideal.

Como reconhecer uma crise de asma

Para que seja possível ajudar uma pessoa com crise de asma, ou mesmo colocar o plano de ação em funcionamento, é muito importante saber identificar o início dos sintomas. Por isso, fique atento com o aparecimento da falta de ar, sensação de pressão no peito, chiado ou ruído ao respirar, tosse e sensação de incapacidade de encher os pulmões. 

Caso tenha algum dos sintomas, é importante recorrer a um especialista como forma de diagnosticar a doença e promover o melhor tratamento. Assim, é possível evitar a crise de asma, ou mesmo estar preparado quando ela acontecer. 

Tratamentos disponíveis para a crise de asma

Apesar de não ter cura, o tratamento adequado pode controlar os incômodos sintomas, evitar crises e melhorar a qualidade de vida do paciente. Entretanto, apesar de seus impactos positivos na rotina do paciente e de reduzir consideravelmente o risco de crise de asma grave, muitas pessoas não aderem ao tratamento para a asma. 

No Brasil, entre os 20 milhões de pessoas asmáticas, somente 12% delas têm controle da doença. Quanto a isso, cabe reforçar que o tratamento de longo prazo não é formatado meramente para tratar crises, mas para evitar que se sofra com os sintomas e as consequências de novas crises. Por isso, ao sentir melhoras, não se deve parar com o uso da medicação sem a orientação médica. 

O tratamento ideal é definido pelo médico que acompanha cada caso, conforme os sintomas, o histórico clínico e a avaliação funcional do paciente — isso é, ele é individualizado e varia entre pacientes que apresentam a mesma condição. No entanto, de modo geral, são prescritos medicamentos para alívio rápido dos sintomas e controle das crises. 

Os fármacos possuem ação anti-inflamatória, também chamados controladores, sendo os corticosteroides inalatórios (bombinha) os principais deles. Em combinação com os medicamentos, algumas ações educativas e preventivas podem ser recomendadas pelo médico. Entre elas, estão:

  • Reduzir a exposição aos fatores desencadeantes ou agravantes da asma;
  • Manter os ambientes limpos e evitar o acúmulo de poeira;
  • Não fumar e evitar situações de fumo passivo;
  • Evitar locais com pouca ventilação e sem incidência de luz do sol;
  • Higienizar frequentemente roupas de cama e travesseiros;
  • Identificar os sintomas iniciais da crise e controlá-los para que o quadro não evolua;
  • Sempre realizar teste para identificar possíveis alergias a determinadas substâncias;
  • Prevenir-se contra gripes e resfriados. Para isso, a vacinação é essencial;
  • Evitar fumaças, gases e cheiros de tinta, de produtos de limpeza ou de higiene pessoal e perfumes que possam ser prejudiciais aos asmáticos;
  • Exercitar-se moderadamente todos os dias (para os casos de asma controlada). A atividade aeróbica, por exemplo, pode ajudar a fortalecer os pulmões e a se respirar melhor;
  • Proteger-se do frio e evitar mudanças bruscas de temperatura;
  • Preocupar-se em ter uma alimentação saudável e fazer controle do peso;
  • Ingerir bastante líquido;
  • Sessões de terapia (há uma relação entre nosso cérebro e nosso sistema imunológico, desse modo, o estresse e a ansiedade podem piorar o quadro da asma);
  • Não esperar os sintomas surgirem para então se preocupar com o tratamento.

A imunoterapia, conhecida popularmente como vacinas antialérgicas, também é uma possibilidade promissora e com resultados comprovados para o tratamento de asma. A técnica consiste em injetar progressivamente doses repetidas do alérgeno, com intuito de diminuir ou eliminar a sua sensibilidade perante o alérgeno, evitando ou diminuindo posteriores reações asmáticas.

É importante saber que, em casos raros, a asma pode levar a óbito. Isso, claro, se houver negligência no tratamento ou se o paciente apresentar outro problema de saúde, deixando o corpo ainda mais debilitado. Por isso, ao se manifestarem os primeiros sintomas, é necessário procurar um médico especialista. 

Muitas vezes, a asma acaba sendo subdiagnosticada ou confundida com outra condição. Por isso, na hora de buscar o diagnóstico, é importante buscar uma clínica com experiência nesse tipo de doença, como é o caso da Clínica Croce. 

Desse modo, agora que você compreende melhor o que é asma e quais são seus sintomas, se você está em busca do melhor tratamento e de um atendimento diferenciado e personalizado para você ou para um familiar com asma, realizado em uma clínica segura e moderna, não deixe de conhecer a Clínica Croce.

Gostou destas informações? Então, acompanhe mais artigos sobre alergologia no blog da Clínica Croce!