Parecer técnico ASBAI e SBIm sobre a Vacina Influenza em pacientes alérgicos a ovo

Em função da atual epidemia de Influenza e necessidade da ampliação do uso da vacina, inúmeras dúvidas vêm surgindo em relação a contraindicações para alérgicos ao ovo.

A vacina Influenza é cultivada em fluido alantoide de ovos embrionados de galinha e a quantidade de proteínas do ovo pode variar de 0,2 μg/ml a 42 μg/ml. Observou-se que as vacinas com maior conteúdo destas proteínas teriam mais probabilidade de ocasionar eventos adversos. Entretanto, atualmente, a quantidade de proteínas de ovo nas vacinas para a gripe comercializadas é menor que 1,2 μg/ml.

Estudos de revisão apontam que a vacina trivalente para influenza não ocasionou nenhuma reação grave em pacientes alérgicos ao ovo – como desconforto respiratório ou hipotensão. As baixas taxas de reações menores, como urticária e sibilos, foram semelhantes entre alérgicos e não alérgicos ao ovo. Nos pacientes com anafilaxia ao ovo também houve boa tolerância e constatou-se que não é necessário realizar testes com a vacina ou aplicá-la em doses fracionadas, mas recomenda-se observar o paciente por 30 minutos em ambiente adequado, com equipamentos e pessoal técnico habilitado para reconhecer e tratar eventuais reações (as quais podem ocorrer também por sensibilidade a outros componentes da vacina).

A segurança da vacina e a liberação para alérgicos ao ovo são compartilhadas pelo Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis no Manual de 2014, endossadas no Guia de Imunização ASBAI/SBIm 2015-2016 e embasadas também em documentos da Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia, Colégio Americano de Alergia e Imunologia e da Academia Americana de Pediatria.

Atualmente, portanto, existem claras evidências de que a Vacina Influenza pode ser administrada com segurança a pacientes com alergia ao ovo, que pode protegê-los de uma doença que causa milhares de hospitalizações e mortes todos os anos. Assim, o risco de não vacinar estes pacientes, claramente excede o risco da vacinação.

Fátima Rodrigues Fernandes – Coordenadora do Grupo de Assessoria da ASBAI – Imunizações

Renata Rodrigues Cocco – Coordenadora do Grupo de Assessoria da ASBAI – Alergia Alimentar

 

Referências:

GUIA DE IMUNIZAÇÃO SBIm/ASBAI – ASMA, ALERGIA E IMUNODEFICIÊNCIAS 2015-2016.

http://www.sbim.org.br/wp-content/uploads/2015/10/Guia-SBIm-ASBAI-151110-bx.pdf

Kelso JM, Greenhawt MJ, Li JT, Nicklas RA, Bernstein DI, Blessing-Moore J, et al. Adverse reactions to vaccines practice parameter 2012 update. J Allergy Clin Immunol 2012;130:25-43.

Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 176 p.: il. ISBN 978-85-334-2164-6

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_vacinacao.pdf

Roches A, Samaan K, Graham F, Lacombe-Barrios J, Paradis J, Paradis L, et al. Safe vaccination of egg allergic patients with live attenuated influenza vaccine. J Allergy Clin Immunol Pract 2015;3:138-9.

THE AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Recommendations for Prevention and Control of Influenza in Children, 2015–2016.  PEDIATRICS Volume 136, number 4, October 2015. Downloaded from by guest on April 11, 2016.

Turner PJ, Southern J, Andrews NJ et al. on behalf of the SNIFFLE-2 Study Investigators. Safety of live attenuated influenza vaccine in young people with egg allergy: multicentre prospective cohort study. BMJ 2015;351:h6291. doi: 10.1136/bmj.h6291

 

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