Saiba mais sobre as vacinas contra o Novo Coronavírus que estão em desenvolvimento

Saiba mais sobre as vacinas contra o Novo Coronavírus que estão em desenvolvimento

22 de junho de 2020 0 Por Editor

No início do mês de junho, pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, iniciaram o teste em humanos para uma das vacinas contra o Novo Coronavírus, vírus responsável pela pandemia de Covid-19 no mundo.

No início do mês de junho, pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, iniciaram o teste em humanos para uma das vacinas contra o Novo Coronavírus, vírus responsável pela pandemia de Covid-19 no mundo.

Estima-se que cerca de 1.110 indivíduos estejam participando do estudo, sendo metade do grupo responsável por receber uma fórmula contra o vírus, e a outra metade do grupo controle, recebendo uma vacina amplamente disponível para a meningite. 

De acordo com cientistas, uma glicoproteína do Novo Coronavírus foi adicionada ao material genético de uma versão enfraquecida deste microorganismo. O objetivo é promover uma resposta imune do corpo com essa proteína, criando anticorpos que sejam capazes de proteger quem receber a vacina de ser infectado pelo vírus.

Além da vacina desenvolvida na universidade de Oxford, outras muitas foram iniciadas ao redor do mundo, contudo, nem todas chegaram tão longe com resultados positivos. A seguir, você vai conhecer um pouco mais sobre as vacinas contra o Novo Coronavírus que estão em desenvolvimento. Acompanhe!

O surgimento da vacina no mundo

Antes de saber mais sobre as vacinas contra o Novo Coronavírus, precisamos conhecer um pouco mais a respeito da história das vacinas. Foram momentos críticos da história da humanidade, como o que vivemos agora, os responsáveis por fazer com que grandes descobertas e invenções surgissem. Para a criação da vacina, a disseminação da varíola e a constatação de seus efeitos destruidores, foram os motivos da busca por uma solução.

Ainda no Século X, na China, não existia vacina moderna como conhecemos atualmente, mas sim um processo que viria a ser diferenciado da vacina no futuro. Essa diferença estava na prática de inocular pessoas diretamente com uma versão bovina do vírus da varíola, por via nasal. O primeiro registro desse processo é datado do século XV.

Um pouco à frente na história, temos a fabricação da primeira vacina moderna, como conhecemos hoje. Em 1796, Edward Jenner, médico britânico, avançou em sua descoberta e promoveu a imunização de seus pacientes infectados pela varíola. Seu princípio era semelhante ao que ocorria na China, a diferença estava na formulação, e não na identificação do agente causador da doença.

Devemos ressaltar que a fabricação de uma vacina tem como objetivo proteger o paciente ao atingir seus sistema imunológico, tornando possível o controle das doenças infecciosas, e impedindo que microrganismos como vírus e bactérias se espalhem em uma determinada população. Mas, antes de tudo, é preciso identificá-lo. 

Em algumas doenças, o vírus ou a bactéria hospedada não necessariamente é a causa principal, pois, outros microrganismos podem produzir a substância. Nesse sentido, a vacina funciona explorando mecanismos dos vírus e bactérias e minimizando sua multiplicação.

Além de microrganismos de natureza complexa, como o vírus do HIV, temos mutações constantes de bactérias e vírus de vacinas já desenvolvidas. Por esse motivo, o investimento em produzir e pesquisar soluções otimizadas apresenta uma grande demanda. 

Contaminação celular

A busca por vacinas contra o Novo Coronavírus não significa a infecção de pessoas de forma deliberada para que sejam realizados os testes, afinal, vai contra os princípios éticos da medicina. Dessa maneira, o medicamento só pode ser testado em regiões em que a Covid-19 esteja se espalhando de forma natural. 

Para que uma célula seja contaminada, o Novo Coronavírus utiliza uma glicoproteína para se ligar a receptores que estão presentes na membrana celular do indivíduo. Uma vez que esteja lá dentro, o microorganismo passa a comandar aquela célula, obrigando-a a replicar seu material genético milhares de vezes. 

Essa replicação ocorre até que a célula hospedeira fique sobrecarregada e morra, provocando a inundação de material genético do vírus no organismo e levando à contaminação de outras novas células.

Como é desenvolvida a vacina

Devido a seu alto grau de contaminação, pesquisadores correm contra o tempo para encontrar uma vacina que seja capaz de combater o vírus da Covid-19. Segundo o relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), existem 128 iniciativas para a formulação de uma substância que possa imunizar o vírus. Entre elas, 13 estão em testes clínicos, ou seja, em humanos. 

Acredita-se que o prazo mínimo para que uma das vacinas contra o Novo Coronavírus fique pronta é de 12 a 18 meses. Indústrias farmacêuticas tentarão realizar o início da produção ainda em 2020. No entanto, a vacina da caxumba, considerada a mais rápida da história, demorou cerca de 4 anos para ficar pronta.

Um estudo da Lancet, revista médico-científica mais respeitada do mundo, mostrou que para chegar a última fase de testes (3) antes da aprovação da substância, gasta-se mas de 319 milhões de dólares, considerando as tentativas que não tiveram sucesso. Ainda que seja uma forma que leve normalmente muito tempo para ficar pronto, as vacinas são o método preferencial das autoridades de saúde para o controle de pandemias. 

O desenvolvimento da substância da vacina pode ser por diferentes formas, as mais comuns são por meio de vírus ou partes do vírus, com o vírus atenuado ou desativado inserido no corpo humano, feito com DNA ou RNA, com sua entrada na célula para a produção de proteína do vírus, ou com partículas semelhantes ao vírus, criadas por engenharia genética. Confira a seguir, as etapas do desenvolvimento de uma vacina:

  • isolamento da partícula do vírus;
  • desenvolvimento da substância;
  • fabricação de anticorpos, devido à presença do vírus ou parte dele;
  • memória imunológica, quando entram em contato com a versão forte do vírus e conseguem que os anticorpos ataquem o invasor;
  • vacina, a substância vai para testes;
  • estudos pré-clínicos, feitos em animais;
  • fase 1, realizada com 10 a 100 pessoas saudáveis,  para verificar a segurança e toxicidade no organismo humano;
  • fase 2, centenas de pessoas são testadas para observar a produção de anticorpos contra o vírus e qual a dosagem indicada;
  • fase 3, dezenas de milhares são testados, verificando a prevenção a infecção pelo vírus em um grande número de pessoas.

Como a vacina é fabricada

Após longos períodos de pesquisa, que pode tomar um tempo considerável, a vacina vai para etapa de fabricação. Como o processo de cobertura de vacinação é global, todos os países possuem centros de vigilância para coleta de amostras, passando a viabilizar sua fabricação. 

Um exemplo desse processo é a vacina contra a gripe influenza, que passa por uma reelaboração todos os anos. Dessa forma, o vírus é incubado em ovos, e subtipos são analisados de acordo com sua mutação. Acompanhe a seguir, as etapas de fabricação.

1. Desenvolvimento

Após o período de pesquisas, testes e coleta de amostras, é chegada a hora de desenvolver a vacina. De acordo com cada uma, diferentes agentes podem ser combinados, sejam ativos ou enfraquecidos. 

Essa é a etapa em que aplica-se a estratégia escolhida para a fabricação da vacina. É a partir da identificação das amostras e características desejadas para a imunização dos pacientes, que a vacina será, então, desenvolvida. 

2. Testes pré-clínicos e clínicos

Algumas autoridades regulatórias exigem que testes rigorosos sejam feitos com todas as vacinas que sejam desenvolvidas. Tais órgãos podem ser locais ou internacionais. E, a partir de diretrizes rígidas, os testes são realizados em laboratórios. 

Primeiro, são realizados em animais e, após o período pré-clínico, os estudos são feitos em pessoas. 

A intenção é ter certeza de que a nova vacina é totalmente segura, agindo no foco da doença. Além disso, são importantes fontes de dados preliminares que podem contribuir para impedir que doenças assim possam se disseminar, como é o caso na Covid-19.

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Após testes em um pequeno grupo, a amostragem aborda um público maior para garantir a eficácia, definindo a dosagem ideal. Somente após a identificação de possíveis efeitos colaterais que estejam dentro das normas, os órgãos reguladores aprovarão a vacina.

3. Liberação da vacina

Os dados do período de coleta são encaminhados para os órgãos competentes, como a OMS (Organização Mundial de Saúde) e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Nessa fase, o pedido formal para que a vacina seja aprovada para fabricação é realizado.

No pedido para a liberação da fabricação deve constar um relatório com informações sobre a vacina, a forma como ela atuará no corpo, suas restrições, formas de aplicação e cuidados a serem tomados. 

A partir deste momento, a decisão final estará nas mãos dos órgãos reguladores. Ou seja, serão os órgãos governamentais aqueles com responsabilidade nas etapas seguintes, para disponibilizar e permitir que os profissionais prescrevem a vacina. 

4. Fabricação do produto

Anualmente, a Anvisa realiza a divulgação das marcas de vacinas que podem ser distribuídas e comercializadas no país. Vacinas como a desenvolvida contra a gripe influenza requerem orientações de dados coletados pela OMS. Segundo a estratégia ideal, será extraída a matéria-prima para a vacina. 

É importante que o paciente confira as listas divulgadas pela Anvisa e demais órgãos responsáveis, a fim de conferir a procedência da dose que será aplicada na clínica de sua preferência. 

5. Distribuição para a população

Conforma a procura projetada pela imunização, os laboratórios fabricantes das vacinas irão realizar a distribuição em locais autorizados, como clínicas de vacina que administram as doses. O número  de doses a ser produzido já é calculado para a demanda seja atendida adequadamente. Dessa forma, a margem que foi estipulada e o agendamento de remessas é realizado de acordo com as solicitações dos locais de vacinação. Os lotes das vacinas enviados por laboratórios abastecem redes privadas, de acordo com requisitos legais de órgãos regulatórios.

Vacinas que atingiram os testes em humanos

Como vimos, as vacinas devem seguir várias etapas de teste até sua aprovação e desenvolvimento em larga escala. Se demonstrada que é segura e proporciona resposta imune, os testes devem começar em humanos. Após 6 meses do aparecimento do Novo Coronavírus, 10 entre as 128 vacinas já estão na fase final dos testes. 

AZD1222 – Universidade de Oxford e AstraZeneca 

Desenvolvida pela Universidade de Oxford e farmacêutica AstraZeneca, a vacina é feita com o adenovírus enfraquecido de uma gripe comum que infecta macacos, servindo de vetor para levar ao organismo humano uma cópia da proteína presente no Novo Coronavírus.

Iniciando recentemente a fase 3, vacinando 10 mil pessoas para garantir a eficácia, o teste foi realizado também em brasileiros, em uma parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Ad5-nCoV – CanSino

Desenvolvida pelo Instituto de Biotecnologia de Pequim, essa iniciativa entre as vacinas contra o Novo Coronavírus foi testada em 108 adultos saudáveis, com idades entre 18 e 60 anos na cidade de Wuhan, na China, em que surgiram os primeiros casos de Covid-19. 

A imunização usou também uma versão do adenovírus como vetor. Esse, por sua vez, transporta o gene da proteína da superfície do Novo Coronavírus e tenta provocar uma resposta imune para combater a infecção.

mRNA-1273 – Moderna e Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID)

A vacina dos Estados Unidos mostra resultados esperançosos com indivíduos que desenvolveram a resposta imune à Covid-19. Utilizando RNA mensageiro, ou seja, um pequeno segmento do código genético do próprio vírus que foi criado em laboratório, espera-se a criação de uma resposta do organismo para combater o vírus. A empresa iniciou a fase de estudo 2 em 29 de maio, envolvendo 600 participantes. A terceira fase deve iniciar em julho, buscando entender e a vacina pode prevenir doenças em grupo de riscos

Sinopharm 

Também desenvolvida na China, essa iniciativa entre as vacinas contra o Novo Coronavírus é feita pelo Instituto Wian de produtos Biológicos e Sinopharm. Utilizando vírus que perderam a capacidade de reprodução, mas que ainda continuam forçando o organismo a desenvolver resposta imune, a vacina passará pela terceira fase em breve, testando a segurança, eficácia, e dosagem suficiente.

Sinopharm II 

A Sinopharm II é resultado da parceria da empresa com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim. Essa imunização também faz uso de vírus que perderam capacidades de reprodução, assim como o estudo anterior.

CoronaVac – Sinovac Biotech e Instituto Butantan

O centro de pesquisa biológica brasileiro, Instituto Butantan, entrou como novo parceiro do laboratório chinês Sinovac para a produção e testagem de vacinas contra o Novo Coronavírus.

De acordo com o governador do estado de São Paulo, João Doria, a expectativa é que a vacina esteja disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) até junho de 2021. Serão selecionados 2 mil voluntários que estejam atuando na linha de frente do combate ao Novo Coronavírus, que não tenham contraído a doença anteriormente. 

NVX-CoV2373 – Novavax 

A empresa norte-americana de biotecnologia Novavax afirma que os compostos presentes na vacina visam o aumento da resposta imune, fornecendo proteção duradoura contra infecções. A primeira fase de testes que acontece na Austrália envolve 130 participantes entre 18 e 59 anos. Já a segunda fase será realizada em diversos países, e terá como foco a imunidade, segurança e redução da Covid-19.

BNT162 – Pfizer e BioNTech 

O laboratório americana Pfizer e a empresa alemã BioNTech estão juntos na confecção de mais uma das vacinas contra o Novo Coronavírus. Diferentes dosagens foram testadas de 4 possíveis candidatos a vacina. Ao injetar RNA mensageiro enfraquecido no organismo, o material poderá comandar as células na produção de uma proteína específica sem que o indivíduo ficasse doente.

Instituto de Biologia Médica da Academia Chinesa de Ciências Médicas 

Uma vacina desenvolvida pelo Instituto de Biologia Médica da Academia Chinesa de Ciências Médicas apresentou bons resultados em macacos, desencadeando a produção de anticorpos sem a ocorrência de danos ao animal. 

INO-4800 – Inovio 

A Inovio anunciou em maio que seu candidato a vacina produziu respostas de anticorpos em porquinhos-da-índia a camundongos. Entretanto, antes mesmo da divulgação deste resultado, a empresa iniciou o teste em humanos. O ensaio em duas etapas avaliará a segurança, tolerância e imunogenicidade da vacina. 

Seus resultados preliminares devem ser revelados ainda em junho. Caso seja bem-sucedida, funcionários da Inovio afirmam que a companhia espera passar para a fase 2 e 3 até agosto.

O desafio da produção em massa

Apesar do progresso acelerado para as tentativas do desenvolvimento das vacinas contra o Novo Coronavírus, especialistas afirmam que não há garantia de que alguma dessas inoculações funcione de fato. Ainda não se sabe quais serão as reações esperadas às vacinas, ou se elas realmente vão funcionar com diferentes tipos de população e variadas faixas etárias. 

Contudo, obter uma vacina eficaz e que possa ser aprovada será apenas o primeiro passo. Após este início, outros enormes desafios devem surgir, como a produção de bilhões de doses de inoculação para a distribuição em meio às populações que a necessitam. Acredita-se que poderão haver certas limitações na capacidade de atingir a quantidade que deveria ser produzida, no caso, centenas de milhões de doses.

Você pôde conferir as principais vacinas contra o Novo Coronavírus que estão em fase de desenvolvimento. Continue a acompanhar informações como estas para manter-se atualizado à respeito das novidades que podem surgir em relação à Covid-19 e outras doenças.

Quer saber mais sobre o Novo Coronavírus? Então, entenda a importância do isolamento social em casos de pandemia como a que estamos vivendo!

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