Febre recorrente: conheça o tratamento através da infusão de medicamentos.

Febre recorrente: conheça o tratamento através da infusão de medicamentos.

26 de setembro de 2019 0 Por admin

Febre e febre recorrente: será que são sinônimos? A febre nada mais é do que um aumento temporário de temperatura do corpo, que se refere a uma defesa do organismo ao sofrer algum tipo de agressão.

Quando o corpo superaquece, uma área do cérebro chamada de hipotálamo classifica a situação como uma invasão de microrganismos. Podemos dizer, então, que a febre é um sinal de que algo anormal está acontecendo.

Mas e quando a febre é recorrente? Existe um diagnóstico que identifica as síndromes febris periódicas hereditárias, que constituem um outro tipo de quadro, diferente desse mais usual, de situações de febre ocasionais e associadas a outras condições de saúde.

Neste artigo, descubra o que é, afinal, a febre recorrente, quais doenças raras estão associadas a ela e como é o tratamento convencional para esses quadros. Conheça, ainda, o tratamento inovador proporcionado pelas infusões de medicamentos. Acompanhe a seguir!

Febre recorrente: o que é, quais são os sintomas e a que doenças está relacionada?

O quadro de febre recorrente é aquele com a presença de períodos recorrentes de febre, com duração variável, separados por períodos de apirexia (ausência de febre), também de duração variável.

A febre recorrente, também chamada de febre periódica, é característica de um rol de doenças raras definidas por manifestações como inflamação e febre recorrente.

Essas condições apresentam predomínio durante a infância, mas podem ser diagnosticadas e se manifestar nos anos posteriores. Em boa parte das vezes, há momentos de crise e fases assintomáticas, embora haja casos de pacientes com quadros contínuos.

Nas exacerbações, além da febre recorrente, essas doenças costumam apresentar manifestação de sintomas como dor abdominal e artrite.

O diagnóstico desse grupo de patologias, sobretudo em razão da sobreposição de seus sintomas com outras condições clínicas é complexo. Ele geralmente é feito por meio de revisão dos sintomas clínicos do paciente, de avaliações laboratoriais, de procedimentos diagnósticos e testes genéticos.

Nos últimos anos, foram feitos diversos avanços na compreensão, no diagnóstico e no tratamento dessas doenças. A febre recorrente causada por tais patologias deve ser diferenciada da febre gerada por infecções autolimitadas em pacientes saudáveis, infecções recorrentes em indivíduos imunodeprimidos e da febre causada por problemas autoimunes.

As síndromes febris hereditárias – ou síndromes febris periódicas

Também classificadas como síndromes autoinflamatórias, as síndromes febris hereditárias compõem um grupo de doenças raras clinicamente caracterizadas por ataques recorrentes de febre que duram mais de 24 horas, dores articulatórias e inflamação sistêmica, sem causa aparente, com acometimento variado da pele e dos órgãos internos.

Entre as síndromes conhecidas atualmente, podemos destacar:

Febre Familiar do Mediterrâneo (FFM)

Apesar de também ser uma doença rara, a Febre Familiar do Mediterrâneo é a síndrome inflamatória mais recorrente. A doença é caracterizada por mutações no cromossomo 16, gene responsável pela produção de uma proteína chamada pirina ou marenostrun, cuja responsabilidade é a de desempenhar um papel fundamental na regulação do processo inflamatório.

A FFM é uma herança genética, isso significa que, quando afetado, o paciente herdou a mutação genética do pai ou da mãe. Os sintomas geralmente se manifestam antes dos 20 anos de idade, mas pode ser que o diagnóstico seja feito após essa fase.

Entre os principais sintomas dessa condição, estão: febre recorrente e alta, dores abdominais intensas, dor torácica, artrite, pleurite e, em menor escala, podem surgir problemas como manchas na pele, pericardite (inflamação da camada que envolve o coração); orquite (inflamação do saco escrotal) e outros sintomas.

Para quem já possui a mutação genética, questões como estresse emocional, atividade física intensa, extremos de temperatura, infecção viral ou até mesmo a menstruação podem desencadear uma crise.

O diagnóstico da FFM é baseado em manifestações clínicas, caracterizadas por episódios febris, acompanhadas de alguns dos sintomas. Exames laboratoriais específicos também são solicitados com o intuito de comprovar que houve inflamação sistêmica durante uma crise, com aumento de marcadores agudos de inflamação. Isso porque, nos picos de manifestação da doença, ocorre um aumento dos números dos leucócitos, de neutrófilos, de PCR e VHS.

A doença afeta, principalmente, indivíduos da região mediterrânea (árabes, armênios, turcos, judeus, libaneses, italianos e gregos), embora existam casos documentados de Febre Familiar do Mediterrâneo em pessoas provenientes de outras regiões.

Outras doenças similares

As síndromes febris hereditárias compõem um grupo de doenças raras com sintomas muito parecidos. Por isso, a Febre Familiar do Mediterrâneo, a mais comum entre elas, é a mais estudada e discutida e, por isso, serve como guia para as demais.

Síndrome Periódica Associada ao Receptor de FNT (TRAPS)

A TRAPS é a segunda síndrome inflamatória mais recorrente, embora, em se tratando de uma patologia rara, isso represente menos casos do que as doenças mais conhecidas. De fato, estima-se que  8,5 a cada 10 milhões de indivíduos desenvolvam a Síndrome Periódica Associada ao Receptor de FNT.

Tal doença é causada por uma mutação no gene que codifica o receptor 1 do FNT (FNTR1) que leva a uma inflamação aberrante, devido ao acúmulo de FNTR1 mal enovelado no retículo endoplasmático que ativa a resposta proteica desdobrada.

Entre as manifestações mais características, estão dores abdominais, simulando um quadro de abdome agudo, artralgia, dor nas articulações e músculos, eritema localizada, mialgia e, em menores proporções, cefaléia, conjuntivite, dor torácica e outros.

Cabe salientar que, entre as síndromes inflamatórias, essa é a que registra comumente febre de maior duração – 14 dias, em média, com variação de 2 a 56 dias.

Síndrome febril periódica e hiperimunoglobulinemia D (HIDS) 

A doença, bastante rara, geralmente, se manifesta antes dos 10 anos de idade, com ataques febris acompanhados de dor abdominal, diarreia, náuseas e vômitos, erupções cutâneas, além de artralgias e/ou artrites.

Na HIDS, o quadro de febre recorrente tende a ser sinalizado por calafrio, seguido por aumento acentuado na temperatura corporal do paciente. Ela deve persistir por seis dias, apresentando redução gradual ao final do episódio.

Quem apresenta essa condição tem no sangue em níveis muito elevados a presença de um anticorpo – chamado imunoglobulina D. Exacerbações podem ser estimuladas a partir de estresse emocional e infecções.

Esse é um caso de menor prevalência – estima-se que apenas em torno de 200 casos tenham sido registrados no mundo todo. No entanto, como o diagnóstico é difícil e o conhecimento geral sobre a condição limitado, há a possibilidade de mais pessoas terem HIDS, porém sem serem diagnosticadas dessa forma.

Síndromes Periódicas Hereditárias Associadas à Criopirina (criopirinopatias) – SPAC/CAPS

Também chamada de Síndromes Periódicas Associadas à Criopirina (CAPS), refere-se a um grupo de doenças autoinflamatórias desencadeadas por temperaturas frias. As síndromes surgem devido a mutações nos genes que codificam a proteína criopirina. Como resultado, acontece a inflamação e, consequentemente, febre recorrente. Sintomas como manifestações articulares também são comuns.

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Ainda que não sejam encontradas mutações genéticas, o paciente pode ser diagnosticado com uma das doenças. Levando em consideração que algumas pessoas, baseadas em testes genéticos padrão, não aparentam alterações genéticas, mas apresentam sintomas somáticos, que causam seu fenótipo.

Entre as principais manifestações do grupo SPAC, podemos ressaltar:

  • Síndrome autoinflamatória familiar desencadeada pelo Frio (FCAS) – também conhecida como Urticária Familiar ao Frio (FCU), geralmente, aparece no primeiro ano de vida, causando erupção urticariforme induzida pelo frio, acompanhada de episódios recorrentes de febre de curta duração e, algumas vezes, artralgias.
  • Síndrome de Muckle-Wells (SMW) – caracterizada por ataques de febre intermitente, urticária, conjuntivite, artragia, artrite, anormalidades endócrinas, úlceras, hérnias abdominais e, até mesmo, perda auditiva. Ainda, crises recorrentes de artrite e conjuntivite também podem ser registradas.
  • Doença autoinflamatória multissistêmica de início neonatal (NOMID) – além de febre e erupção urticariforme migratória, sintomas como lesões na pele, deformidades articulares e nos membros, deformidades faciais, meningite asséptica crônica, atrofia cerebral, uveíte, edema papilar, problemas oculares, atraso no desenvolvimento e amiloidose podem surgir. Em torno de 20% dos pacientes vão a óbito até os 20 anos de idade se não tratados.

Tratamento convencional para doenças associadas à febre recorrente

Antes de falarmos em tratamento, é preciso saber que, para chegar ao diagnóstico preciso dessas síndromes, é necessária muita investigação e conhecimento aprofundado sobre as manifestações clínicas, bem como de suas características genéticas.

Infelizmente, ainda não há cura definitiva para doenças caracterizadas pela febre recorrente, como a Febre Familiar do Mediterrâneo. Portanto, o tratamento é realizado para amenizar os sintomas e outros problemas relacionados à condição, visando evitar episódios de febre periódica e possíveis complicações no longo prazo à saúde e à rotina do paciente.

Tomando como diretriz a Febre Familiar do Mediterrâneo, os tratamentos tradicionais geralmente se resumem ao bloqueio da atividade da proteína chamada pirina, incluindo uso de corticoides sistêmicos.

Um dos medicamentos mais utilizados é a Colchicina, uma medicação capaz de reduzir a inflamação do organismo porque impede a multiplicação celular e, por isso, diminui a intensidade dos sintomas. Em contrapartida, efeitos colaterais como diarreia, vômito, formigamento e fraqueza, podem aparecer em diferentes graus.

Ainda, são utilizados, dependendo do caso, medicamentos como prednisona, anti-inflamatórios não esteroidais (AINES), glicocorticoides, anti-histamínicos, entre outros.

Nos casos em que a Colchicina ou outro remédio oral não é capaz de controlar o problema, outros medicamentos ou tipos de terapia podem ser utilizados. Entre eles, o que tem se destacado, é o tratamento via infusões medicinais, como veremos a seguir.

Infusões de medicamentos no tratamento de patologias associadas à febre recorrente

Também conhecida como terapia de reposição enzimática ou terapia biológica, a infusão medicamentosa consiste no tratamento de um paciente por meio de soluções ministradas de forma intravenosa, com o objetivo de proporcionar uma melhora no seu quadro ou contribuir para a remissão da sua enfermidade.

Levando em consideração que os tratamentos convencionais nem sempre funcionam ou, muitas vezes, causam efeitos adversos, a infusão de medicamentos se mostrou bastante eficiente para tratar doenças relacionadas a síndromes de febre recorrente, sobretudo casos de moderados a graves, aliviando seus sintomas e permitindo que o paciente tenha mais qualidade de vida.

Além de seguro, esse tipo de tratamento permite que a medicação seja fornecida de acordo com as necessidades do paciente, com taxas, volumes e intervalos precisamente programados. No caso de pacientes que, por algum motivo, tenha dificuldade na administração ou assimilação de medicamentos ingeridos oralmente, as infusões também se mostram uma alternativa muito importante.

Na Clínica Croce, a Canaquinumabe (Ilaris®) é a infusão medicamentosa aplicada para o tratamento de doenças relacionadas à febre recorrente.

O Ilaris®, entre outras aplicabilidades, pode ser utilizado no tratamento de quatro tipos de síndromes de febre periódica, a saber:

  1. Síndromes febris periódicas associadas à criopirina (chamadas criopirinopatias CAPS);
  2. Síndrome periódica associada ao receptor do fator de necrose tumoral (TRAPS);
  3. Síndrome de hiperimunoglobulina D (HIDS) / deficiência de mevalonato quinase (MKD);
  4. Febre Mediterrânea Familiar (FMF).

É importante ressaltar que esse medicamento é autorizado pela FDA (Food and Drug Administration) e possui registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O tratamento pode ser administrado em adultos ou crianças a partir de dois anos. Trata-se de um bloqueador de interleucina-1 beta. Sua substância ativa, o canaquinumabe, anticorpo monoclonal, é uma espécie de proteína que foi desenvolvida via engenharia genética para reconhecer e se ligar a uma molécula mensageira ou citocina no corpo.

Essa molécula está diretamente ligada a inflamações, presentes em altos níveis no sistema do paciente com patologias como a FFM. Por meio da ligação estabelecida pela substância ativa, ela realiza o bloqueio da atividade da molécula, trabalhando na redução da inflamação e gerando alívio dos sintomas da doença e recidivas no paciente.

Pode-se concluir que as infusões de medicamentos representam hoje uma solução eficaz e segura para o tratamento de uma série de doenças raras caracterizadas por febre recorrente que, até pouco tempo, dispunham somente de práticas paliativas ou terapias mais convencionais que, nem sempre, apresentavam o resultado esperado, principalmente em quadros moderados a graves. Esse tipo de medicamento atua ajudando a reduzir a ocorrência e o desconforto das manifestações, podendo, inclusive, favorecer remissões, e melhorando a qualidade de vida do paciente. 

Clínica Croce para tratamento de febre recorrente com infusão de medicamentos

Desde 1973, a Clínica Croce oferece atendimento especializado nas áreas de Alergologia e Imunologia, Endocrinologia, Endocrinologia Pediátrica e Reumatologia.

O fundador da clínica, Prof. Dr. Júlio Croce, foi um dos primeiros médicos da Universidade de São Paulo a fazer especialização no tratamento das doenças alérgicas no Brasil e um dos fundadores da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

Hoje, a Clínica Croce possui uma equipe altamente qualificada, além dos principais e mais novos métodos para o diagnóstico e tratamento de doenças raras e alérgicas, o que torna todo o processo de diagnóstico e tratamento de doenças relacionadas à febre recorrente mais ágil e preciso para esses casos.

Localizado na zona oeste de São Paulo, o ambiente da clínica é especialmente desenvolvido para promover um atendimento confortável, qualificado, seguro e acolhedor ao paciente. 

A clínica é uma das precursoras do país e uma referência na administração de tratamentos de saúde via infusão de medicamentos.

Atualmente, a Clínica Croce realiza tratamentos com as seguintes infusões:

Abatacepte (Orencia ®), Ácido Zoledrônico (Aclasta ®, Blaztere ® e Zometa ®), Adalimumabe (Humira ®), Belimumabe (Benlysta ®), Canaquinumabe (Ilaris ®), Certolizumabepegol (Cimzia ®), Denosumabe (Prolia ®, Xgeva ®), Densis, Dupilumab (Dupixent ®), Ferro injetável (Noripurum ®, Ferinject ®), Ibandronato de Sódio (Bonviva ®), Infliximabe (Remicade ®), Mepolizumab (Nucala ®), Omalizumabe (Xolair ®) e Rituximabe (MabThera ®).

Naturalmente, com os avanços da medicina, novas infusões poderão ser autorizadas e adicionadas como seguras e eficientes possibilidades de tratamento.

Essas infusões medicamentosas são administradas em ambiente próprio para isso, acompanhado por nossos especialistas e seguindo todos os protocolos demandados para esse tipo de atendimento. 

A atenção e o atendimento humanizado e integral ao paciente são prioridades para nosso corpo clínico. Por isso, é comum que o tratamento para doenças raras acompanhadas de febre recorrente seja conduzido por uma equipe multidisciplinar, a fim de agilizar e qualificar ainda mais o diagnóstico e o tratamento ao paciente.

Agora que você já conhece um pouco mais sobre a Febre Recorrente, o tratamento com infusões e sobre a Clínica Croce, que tal agendar uma consulta com nossos especialistas? Clique na imagem abaixo e inicie agora mesmo uma conversa por whatsapp com nosso atendimento.

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