Endocrinologista: o que significam níveis elevados de Ferritina

Endocrinologista: o que significam níveis elevados de Ferritina

28 de julho de 2020 0 Por Editor

Você sabe o que é ferritina? Atualmente, o exame que mede essa dosagem está presente muitas vezes na listagem de procedimentos complementares solicitados como rotineiros por médicos. Por conta do aumento da prevalência da obesidade, síndrome metabólica, diabetes e doença gordurosa hepática não-alcoólica, é comum o aumento dos níveis de ferritina nestes exames. 

Isso tem sido motivo de preocupação para muitos endocrinologistas, iniciando assim a busca pelas causas dessa variação que vem aumentando a dose de ferritina no sangue dos pacientes, além de formas de tratamento. A seguir, você vai acompanhar tudo o que precisa saber sobre a ferritina e seus diferentes níveis no sangue. Acompanhe!

O que é ferritina

A ferritina é uma macromolécula na qual são encontrados até 4 mil átomos de ferro em seu interior. Quando em condições normais, isso representa cerca de 25% de todo o ferro encontrado no corpo humano. 

Presente em todas as células, está especialmente naquelas envolvidas em síntese de compostos que contenham ferro, e no metabolismo de reserva do ferro. Sua função primária é de acumular ferro intracelular,ou seja, dentro das células, para a proteção das mesmas contra efeitos tóxicos do metal livre.

Por servir como um reservatório de moléculas de ferro no organismo, a ferritina está presente em grande parte do organismo, sendo encontrada no fígado e em células do sistema retículo endotelial de outros órgãos, como o baço e medula óssea. Quantidades menores podem ser encontradas no coração, pâncreas e rins.

Como saber o nível de ferritina no sangue

Os níveis de ferro podem ser verificados por meio de exames que informam a quantidade circulante no sangue, avaliando também a quantidade da ferritina, molécula responsável pelo estoque de ferro no organismo. 

O acompanhamento médico é realizado em casos de hemocromatose (doença que causa excesso de ferro nos órgãos), histórico familiar de excesso de ferro, ou alcoolismo. Contudo, é importante estar sempre atento aos sintomas dessa exorbitância ou da falta de sangue no organismo para que a investigação seja feita, assim como seu diagnóstico e tratamento caso seja necessário.

Interpretação do exame

O endocrinologista ou médico de outra especialidade deve sempre ter cautela na interpretação do exame. É preciso que o tratamento seja focado no problema ou doença que esteja causando o aumento da ferritina, que em boa parte dos casos, não é o excesso de ferro.

Muitas vezes o primeiro pensamento ao identificar o excesso de ferritina no organismo é a presença de hemocromatose, doença que provoca aumento da absorção do ferro pelo intestino, e pode ser genética ou não. Contudo, as causas podem variar, como você verá adiante. 

Valores de referência da ferritina

Os valores que servem como referência para normalidade da ferritina podem variar conforme o laboratório utilizado. Contudo, podemos observar uma média utilizada segundo a literatura. Confira os níveis de ferritina em jejum: 

  • normais: < 200 ng/mL para mulheres na pré-menopausa e < 300 ng/mL para homens;
  • limite superior a normalidade: < 200 a 300 ng/mL para mulheres na pós-menopausa;
  • acima de 1000 ng/mL: o indivíduo deve ser encaminhado a um especialista, como hematologista, endocrinologista ou gastroenterologista.

A ferritina baixa

Os níveis de ferritina baixa significam normalmente que os níveis de ferro estão baixo e, por isso, o fígado não produz ferritina, visto que não há ferro disponível para o armazenamento. As principais causas desse fator, são:

  • hipotireoidismo;
  • anemia ferropriva;
  • sangramento gastrointestinal;
  • sangramento menstrual intenso;
  • alimentação pobre em ferro e vitamina C.

Entre os sintomas da baixa ferritina no organismo, podemos incluir cansaço, fraqueza, palidez, falta de apetite, dores de cabeça, tonturas, queda de cabelo e outros. O tratamento para essa diminuição pode ser realizado com a ingestão diária de ferro com dietas ricas em alimentos com vitamina C e ferro, como feijão, laranja e carne.

Ferritina e obesidade 

A síndrome metabólica e a obesidade são doenças reconhecidas por causarem o aumento da atividade inflamatória no organismo, por esse motivo, é comum que esses pacientes tenham a ferritina aumentada em seus exames, sendo o aumento de casos de ferritina alta explicado pelo motivo de quase metade da população brasileira estar acima do peso.

Sintomas do excesso de ferro no organismo

Os primeiros sinais que representam o excesso de ferro no organismo podem ser observados em homens entre 30 e 50 anos, e em mulheres após o período da menopausa, visto que na menstruação ocorre normalmente a perda de ferro, motivo que atrasa o aparecimento dos sintomas. 

O excesso de ferro pode ocasionar alguns sintomas que são pouco específicos e podem ser confundidos com outras doenças, como alterações hormonais e infecções. Além de cansaço, dores abdominais e fraqueza, outros sintomas que podem indicar o excesso de ferro no sangue, são:

  • perda de peso; 
  • dores em articulações;
  • queda de cabelo;
  • impotência;
  • alterações no ciclo menstrual;
  • arritmias;
  • inchaço;
  • atrofia testicular.

Principais características clínicas das alterações nos níveis de ferritina

Quando os níveis de ferritina no organismo estão abaixo do normal, é comum que o indivíduo sinta, assim como no excesso, fraqueza, dor de cabeça, fadiga e cansaço. Outras características clínicas também podem ocorrer como irritabilidade, perversão do apetite (vontade de comer diferentes substâncias, como terra) e síndrome das pernas inquietas. 

O déficit de ferro no organismo também causa diminuição das defesas do corpo, atingindo o sistema imunológico e diminuindo a resistência à infecções. Além disso, valores inferiores podem indicar risco adicional de câncer.

Já no alto valor de ferritina, sintomas como os visto acima podem estar presentes, assim como outras características clínicas, como dores nas articulações, desordem no fígado, aumento do coração, hiperpigmentação da pele, e aumento da glicose no sangue. 

Complicações causadas pelo excesso de ferro

O excesso de ferro no organismo pode se acumular em vários órgãos, resultando em complicações como, por exemplo, aumento da gordura no fígado, diabetes, artrite, cirrose, palpitações cardíacas, e mais. 

Esse acúmulo também pode acelerar o processo de envelhecimento devido ao acúmulo de radicais livres nas células. Em casos como este, o fígado é o órgão mais afetado, resultando em uma disfunção hepática. 

Por esse motivo, caso ocorra o aparecimento dos sintomas de excesso de ferro, ou a pessoa tenha passado por transfusões sanguíneas ou anemia, é importante procurar atendimento médico para que estes níveis sejam avaliados, prevenindo tais complicações. 

Causas da ferritina elevada sem aumento de ferro no organismo

Nem sempre a ferritina elevada significa altos índices de ferro. Essa proteína pode aumentar em diversas condições diferentes como processos inflamatórios, infecções, ou mesmo na ocorrência de alguns tipos de câncer. Outras situações que podem elevar a ferritina sem aumentar a quantidade de ferro, são: 

  • anemia hemolítica crônica;
  • doença renal crônica, síndrome metabólica, como obesidade abdominal, resistência à insulina, hipertensão arterial e dislipidemia;
  • infecção aguda, crônica ou inflamatória, incluindo pelo Covid-19;
  • doença de Hodgkin;
  • leucemia;
  • doença hepática, como hepatite C e hepatite auto-imune;
  • sobrecarga de ferro por inúmeras transfusões sanguíneas;
  • talassemia;
  • uso excessivo de suplemento de ferro;
  • hemocromatose;
  • ingestão de álcool;
  • tireotoxicose (excesso de hormônio tiroidiano);
  • infarto agudo do miocárdio.

Ferritina elevada e a saturação

Em casos de ferritina elevada, a avaliação da saturação da transferrina (grau de ocupação de ferro na proteína que o transporta no sangue) sempre precisa ser avaliada em conjunto. Veja possíveis resultados da saturação da transferrina quando a ferritina está em nível elevado:

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  • saturação baixa – pode ocorrer a deficiência de ferro no organismo;
  • saturação normal – pode não ser necessário a busca por um especialista, visto que não há sobrecarga de ferro no organismo;
  • saturação alta -um especialista deve ser consultado para realizar testes adicionais da sobrecarga de ferro.

Determinar outros marcadores inflamatórios e proteínas de fase aguda, como a proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação, podem ajudar a confirmar o diagnóstico. Em situações em que a ferritina e saturação da transferrina estão elevados, é preciso considerar a avaliação de um especialista para que a hemocromatose ou outras doenças que levam a sobrecarga de ferro no organismo sejam descartados.

Hemocromatose 

A hemocromatose é um distúrbio hereditário que permite que o corpo absorva ferro demais, acumulando-o e danificando os órgãos. Homens são os mais afetados pela doença que também pode atingir mulheres e, apesar de fatal, costuma ter tratamento.

Nessa doença rara, o excesso de ferro é depositado ao longo do período de vida em diversos tecidos, causando prejuízos em órgãos vitais, como fígado (cirrose), pâncreas (diabetes), coração (arritmia), hipófise (deficiências hormonais múltiplas), testículos (hipogonadismo masculino), além de problemas em articulações e escurecimento da pele. 

Apesar de absorverem na alimentação, a maior parte do ferro que causa o excesso no organismo está contida nos glóbulos vermelhos, e se acumulam nos órgãos. A identificação da doença ocorre por meio de exames de sangue que precisam de teste genético para confirmar o distúrbio.

Causas 

A elevação da ferritina no organismo sem que ocorra o excesso de ferro pode acontecer em até 90% dos casos, ou seja, a grande parte dos pacientes não apresenta hemocromatose. Contudo, a doença ainda está presente em boa parte. 

Por ser hereditária, a hemocromatose pode ser causada por diferentes mutações genéticas, sendo o tipo mais comum a hemocromatose tipo 1, que envolve a mutação do gene HFE. Nela, a pessoa precisa herdar um gene mutante de ambos os pais para ser afetada. O gene HFE compõe a proteína que identifica a quantidade de ferro no corpo, por esse motivo, a sua mutação permite que seja absorvido ferro demais. Outras mutações que causam distúrbios semelhantes, são:

  • hemocromatose tipo 2 (chamada de hemocromatose juvenil);
  • hemocromatose tipo 3 (chamada de hemocromatose por mutação do receptor 2 da transferrina TFR2);
  • hemocromatose tipo 4 (também chamada doença da ferroportina);
  • hipotransferrinemia;
  • aceruloplasminemia.

Mutações do TFR2 são responsáveis por prejudicar a capacidade do organismo no controle da absorção do ferro em certas células. Ainda que os tipos de hemocromatose possam variar em termos de idade na qual surgem, sintomas e complicações da sobrecarga de ferro são os mesmos em todos.

Sintomas

Os sintomas da hemocromatose se desenvolvem gradualmente, e o distúrbio pode não ser notado até que o acúmulo de ferro seja excessivo. É frequente que nenhum sintoma apareça até a meia-idade ou mais tarde. Os primeiros sintomas notados são fraqueza ou fadiga.

Além disso, podem variar, visto que, o acúmulo de ferro pode danificar qualquer parte do organismo, como coração, pulmões, cérebro e fígado. A cirrose pode ser um dos primeiros sintomas em homens, assim como o diabetes. Os primeiros sintomas em mulheres podem ser vagos afetando todo o corpo, e seus sintomas gerais são os mesmos do excesso de ferritina.

Tratamento

O tratamento para o aumento da ferritina deverá depender da causa. Na maior parte dos casos, a flebotomia, chamada de sangria terapêutica é reservado para casos de hemocromatose.

A perda de peso, redução do consumo de álcool e outros tratamentos da condição de base devem ser considerados. O paciente deve ser visto como um todo, em que se possa descobrir e tratar a causa da elevação da ferritina, não somente regular seu níveis à exame. Variando de acordo com os níveis desse mineral, sintomas e complicações, podem ser adotadas estratégias como as que você verá a seguir.

Dieta individualizada

Condições metabólicas variadas propiciam descontrole na capacidade do fígado lidar com o ferro, como por exemplo a hepcidina, hormônio responsável pelo controle. Já a frutose, um tipo de açúcar, geralmente compromete o funcionamento do órgão, aumentando em níveis de ferritina, como ácido úrico de gordura, causando também uma resistência à insulina. Dessa forma, a dieta deve ser individualizada.

Alimentos com ferro não são os únicos vilões

Diante dos aspectos nutrológicos do excesso de ferro, recomenda-se a restrição da ingestão do mineral, além do cuidado ao utilizar suplementos alimentares em que ele possa estar presente, ou mesmo que apresentem vitamina C em sua fórmula, visto que a vitamina facilita a absorção do ferro nos intestinos. 

Entre outras medidas, pesquisas apontam que o uso do chá verde e café logo após refeições que contenham ferro também diminuem a absorção desse mineral. Alimentos que são ricos em cálcio, como o leite, também podem exercer esse mesmo efeito. 

Contudo, pesquisas comprovam que não é só o consumo de alimentos ricos em ferro que causam a elevação na ferritina. Sabe-se que diversas condições metabólicas favorecem o descontrole do fígado ao lidar com o ferro. 

Por meio da produção da hepcidina, o fígado está entre os responsáveis por esse controle. A hepcidina auxilia o organismo na diminuição dos níveis de ferro. Como vimos, a frutose pode prejudicar o funcionamento do órgão, levando ao aumento de ferritina ácido úrico, e gordura no fígado, causando resistência à insulina. 

Esse processo explica o fato de pessoas que não consomem grandes quantidades de carne vermelha apresentarem ferritina em níveis altos, bastando consumir sucos de caixa, doces, frutas, mel e refrigerantes em excesso. Além disso, o xarope de milho utilizando em boa parte dos produtos industrializados, também é rico em frutose. 

O excessivo consumo da gordura saturada é outro responsável por prejudicar o fígado na forma como ele lida com o ferro, sendo encontrada em alimentos congelados, biscoitos, sorvetes, frituras, e comidas sem grande valor nutricional.

Percebemos então que, restringir imediatamente o ferro na dieta cortando alimentos como carne e feijão não é indicado, uma vez que podem ser importantes aliados na reeducação alimentar, sendo ricos em fibras e proteínas. 

Contudo, ao ser ingerido junto à carne vermelha, a quantidade de ferro proveniente do feijão é ingerida de maneira mais fácil. Logo, sendo recomendado que ambos sejam ingeridos separadamente. Para ser bem realizada, a orientação nutricional precisa levar em conta aspectos do metabolismo do fígado, análise de exames e composição de alimentos com muito critério.

Flebotomia

A flebotomia, ou sangria terapêutica, é o tratamento que consiste na retirada de 450 a 500ml de sangue do paciente que apresenta excesso de ferritina, auxiliando na redução do ferro do organismo. Em um procedimento simples, a flebotomia é realizada como uma doação de sangue, e a quantidade de líquidos retirados é resposta em forma de soro fisiológico, evitando a perda de eletrólitos. 

Suplementação com quelante de ferro

Outra maneira de tratar os altos níveis de ferritina envolve o uso de quelantes, medicamentos que se ligam ao ferro no organismo impedindo-os de se acumularem e prejudicarem outros órgãos. Os quelantes podem ser utilizados na forma de comprimidos ou administrados de forma subcutânea, com aplicação que pode durar cerca de 7 horas, liberando a medicação na pele.

Após acompanhar o artigo de hoje, você pôde conhecer mais sobre a ferritina e os perigos que seu nível elevado no organismo, assim como o ferro, podem apresentar para a saúde. Caso tenha algum dos sintomas indicados ou não realize uma consulta com um endocrinologista há algum tempo, procure uma clínica endocrinológica e realize exames de rotina. Identificar essa alteração de forma precoce permite que o tratamento adequado possa ser desenvolvido e aplicado o quanto antes, melhorando a qualidade de vida e bem-estar. 

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