Endocrinologia: como saber se o crescimento do seu filho(a) está de acordo com a idade

Endocrinologia: como saber se o crescimento do seu filho(a) está de acordo com a idade

22 de junho de 2020 0 Por Editor

Pais sempre estão atentos ao que é melhor para seus filhos, principalmente quando o assunto é saúde. Preocupações relacionadas à segurança, nutrição e desenvolvimento estão sempre presentes, contudo, uma das maiores dúvidas na vida dos pais é como saber se o crescimento do filho está de acordo com sua idade.

Sendo o crescimento o melhor indicador de saúde em qualquer fase da vida da criança, os pais devem estar constantemente atentos à altura e peso de seu filho desde antes de seu nascimento até a puberdade, período que finaliza o crescimento.

As etapas de crescimento contam com particularidades e, caso a criança não esteja na média, merece atenção especial. Por isso, você vai saber hoje o que considerar em cada fase de crescimento da criança, identificando se o desenvolvimento de seu filho está de acordo com a idade. Confira!

Como saber se o crescimento do seu filho está de acordo com a idade

A maior parte dos bebês e crianças atingem certos marcos em sua vida no mesmo período, por esse motivo, existem diversos dados de referência sobre o crescimento infantil. Entendendo como eles funcionam permite aos pais acompanhar e ajudar os filhos em seu crescimento e desenvolvimento de novas habilidades, atingindo todo potencial. Acompanhe a seguir, o crescimento típico da criança.

Crescimento típico da criança

O crescimento da criança não segue obrigatoriamente as mesmas regras em todos os casos, entretanto, padrões de referência devem ser observados. As curvas e gráficos de crescimento são informações padronizadas que se baseiam no desenvolvimento da maioria da crianças. 

Junto dele, pode-se avaliar a taxa de crescimento de uma pessoa comparando-a com grupos da mesma idade e sexo, tornando possível identificar algo de errado no amadurecimento da criança.

O crescimento do ponto de vista físico corresponde ao aumento de altura, peso, membros, órgãos e quaisquer outras mudanças que podem ocorrer no corpo das crianças. Cabelos crescem, dentes nascem, caem e tornam a nascer, hormônios começam a ser produzidos, tudo fazendo parte do desenvolvimento infantil dividido em 3 etapas.

Lactante

Crianças de 0 a 3 anos de vida fazem parte do período lactante. Logo após ao nascimento, o recém-nascido perde cerca de 5 a 10% de seu peso, recuperando-o por volta de 2 semanas, quando seu crescimento é iniciado.

Entre 4 a 6 meses, o peso do bebê deve ser o dobro do apresentado ao nascer, e seu crescimento pode chegar até 25cm. Aos 2 anos, é natural que o bebê diminua o ritmo de crescimento.

Pré-puberal

A fase de crescimento pré-puberal ocorre entre 3 aos 13 anos, com a criança crescendo em ritmo constante. Contudo, muitas crianças costuma não crescer de forma continuada ao longo do período. É importante perceber se há um padrão de meses ou semanas em que a criança apresenta crescimento lento. Espera-se que a criança apresente uma média de crescimento de 5 cm ao ano nessa etapa.

Puberdade

No período da puberdade, os pais podem observar um surto de desenvolvimento que dura entre 2 a 5 anos, e o padrão de crescimento deve estar em torno de 8 a 14 cm ao ano. Esse surto é associado à sexualidade, com o desenvolvimento de pêlos púbicos, axilares, crescimento de órgãos sexuais, e o início da menstruação nas meninas. Ao atingir entre 15 e 17 anos, o crescimento se encerra, devido ao fim do desenvolvimento físico.

Fatores que podem interferir no crescimento 

São muitos os fatores que podem contribuir para que uma pessoa tenha problemas de crescimento e desenvolvimento, desde alterações na produção hormonal até herança genética. Confira os principais, a seguir.

Atividades físicas em excesso

De acordo com um estudo publicado em 2018 pelo jornal Scientific Reports, a atividade física em excesso pode ser um dos fatores que afetam o crescimento infantil. Baseando-se em dados de 20 anos de desenvolvimento econômico em uma comunidade do médico, os pesquisadores da Universidade de Utah mostraram que crianças que gastavam mais tempo e energia em atividades físicas excessivas eram significativamente menores, mais leves e com baixos níveis de gordura corporal.

O ideal é que a criança mantenha o equilíbrio. A prática de atividades físicas é de extrema importância e deve ser incentivada desde as menores idades, visto que as atividades estimulam o desenvolvimento de células que formam tecido ósseo e muscular. Entretanto, as doses devem ser equilibradas, para que não ocorra prejuízo de crescimento e desenvolvimento.

Hormônios do crescimento

Presente no organismo de forma natural, o hormônio do crescimento (em inglês, growth hormone – GH) é produzido na hipófise e deve estar presente em todas as pessoas, visto que, é indispensável durante o período de crescimento.

Contudo, o GH pode se tornar deficiente em algumas crianças, prejudicando seu desenvolvimento e crescimento. Por isso, endocrinologistas apostam na sua reposição com doses diárias. 

Tratamento indicado somente com prescrição médica, caso o pediatra suspeite de algum problema, deverá encaminhar o paciente ao um médico endocrinologista, para que seja feita a análise da curva de crescimento, investigando por meio de exames possíveis questões estruturais. Somente após a identificação constatada da deficiência do GH, o tratamento é iniciado, podendo durar até 16 anos.

Alimentação deficiente

Ainda que a genética seja um fator predominante no que diz respeito à altura, a influência de fatores ambientais, como a desnutrição, acaba sendo mais atuante que o fator genético na determinação da estatura final. 

Diante de uma alimentação insuficiente ou que seja carente de nutrientes essenciais, o organismo diminui sua atividade metabólica, poupando gastos de energia e desacelerando o crescimento da criança. Por isso, é essencial que a criança tenha o direito a uma alimentação com grande variedade à mesa.

Pais devem dar exemplo seguindo um padrão alimentar equilibrado, ou seja, ter como parte da alimentação familiar frutas, verduras, legumes, carboidratos, leguminosas, proteínas, e laticínios, preferindo sempre alimentos in natura ou minimamente processados.

Devemos lembrar ainda de casos em que a criança conta com alimentação adequada, porém, apresenta dificuldades na absorção dos nutrientes, como é o caso da intolerância alimentar, motivo que pode também comprometer o crescimento infantil.

Descanso insatisfatório

O sono é o momento de revigoração, em que energias são recarregadas, hormônios produzidos e liberados. Por isso, o descanso insatisfatório da criança pode prejudicar seu crescimento, visto que, o hormônio do crescimento é produzido e liberado no organismo durante o período de sono.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, esse processo se inicia por volta dos 30 minutos após o adormecimento da criança. O pico da produção do GH é alcançado a partir das 22 horas e segue até o início da manhã. Podemos concluir que crianças que dormem pouco durante a noite são mais suscetíveis a apresentar déficits de crescimento, além e alguns outros prejuízos à saúde.

O papel do endocrinologista

O endocrinologista é o profissional responsável por realizar o diagnóstico e tratamento de distúrbios endocrinológicos na infância e adolescência, tratando do crescimento, tireoide, diabetes obesidade, distúrbios de diferenciação sexual e alterações no metabolismo.

Disfunções como as hormonais podem ser identificadas desde o período neonatal, e seu diagnóstico e tratamento são realizados pelo endocrinologista, que deve ter interação constante com pediatras.

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É no período neonatal que surgem anormalidades como hiperplasia adrenal congênita e hipotireoidismo congênito. Já em idade infantil, quadros como diabetes, puberdade precoce e crescimento deficiente são mais comuns, e na adolescência, a falta de desenvolvimento puberal e genital, obesidade e disfunções tireoidianas autoimunes são as queixas mais frequentes.

Diante da dúvida sobre o crescimento da criança de acordo com sua idade, o endocrinologista realizará avaliações que incluem cuidar da história clínica abrangendo o histórico da gravidez, parto, altura e peso da criança ao nascer, conhecimento sobre a alimentação da criança e outros hábitos de vida, como a prática de atividades físicas, altura dos familiares, avaliação do ambiente social em que a criança vive, e mais.

Avaliando o ritmo de desenvolvimento

Para que seja avaliado o ritmo de desenvolvimento da criança, os médicos utilizam a velocidade de crescimento. Para isso, é necessário ter pelo menos 2 medidas da estatura do paciente, e um intervalo de tempo entre elas. 

Nos primeiros meses de vida, as medidas podem ser mensais e, posteriormente, a cada 3 ou 4 meses. Isso porque a criança cresce em média 25 cm nos dois primeiros anos de vida, tem uma desaceleração progressiva da velocidade de seu crescimento, e volta a acelerar durante a puberdade. 

O acompanhamento com pediatra é fundamental para detectar qualquer alteração dessa velocidade de crescimento de forma precoce, permitindo o diagnóstico antecipado de doenças que podem afetar o desenvolvimento. 

Assim que nota-se o crescimento menor que o esperado, o ideal é buscar ajuda de um especialista, como o endocrinologista. Quanto mais cedo percebido o problema, melhores as chances de recuperação. 

Na avaliação clínica da criança, o endocrinologista realiza a medição de peso e altura, para determinar a velocidade do crescimento, e também avaliações laboratoriais conforme as possíveis suspeitas, como anemia, doenças renais, doenças endócrinas em crianças, e deficiência hormonal.

Por fim, o profissional avalia por meio de exame radiológico a idade óssea da criança, permitindo a medição da reserva de crescimento. É importante que o diagnóstico seja realizado rapidamente, iniciando o quanto antes o tratamento, garantindo que a estatura final alcance seu melhor potencial. Doenças reumáticas em crianças, crônicas como infecções do trato respiratório, anemias e doenças intestinais também podem prejudicar o crescimento típico da criança. No entanto, assim que o problema é tratado, o indivíduo volta a ter seu desenvolvimento.

Você pôde conferir como saber se o crescimento do seu filho está de acordo com a idade, além de conhecer os principais fatores que podem prejudicar o desenvolvimento da criança. Ao perceber sinais que indiquem prejuízo no crescimento de seu filho, busque ajuda de um profissional da endocrinologia. 

Endocrinologia pediátrica

Além de atuar no diagnóstico e tratamento de distúrbios do crescimento, o endocrinologista pediátrico é responsável por descobrir e tratar outras disfunções hormonais se podem se instalar desde o período neonatal até o final da adolescência, motivo que requer interação de conhecimentos pediátricos e de endocrinologia.

Essa alterações determinam a repercussão sobre não só o crescimento, mas também o desenvolvimento e metabolismo do organismo em fase de maturação, e devem ser considerados os aspectos peculiares de cada uma das fases do desenvolvimento. 

Período Neonatal

Durante o período neonatal, são frequentemente acompanhadas anormalidades como diferenciação genital, hipoglicemias, hiperplasia adrenal congênita e hipotireoidismo congênito.

Em crianças menores, os quadros predominantes são, além do crescimento deficiente, hipotireoidismos adquiridos, diabetes tipo 1, e sinais puberais de apresentação precoce. Já durante a adolescência, as queixas mais frequentes são aquelas relacionadas `falta de desenvolvimento puberal e genital, Diabetes tipo 1 e 2, obesidade, disfunções tireoidianas autoimunes, e outras.

Puberdade precoce

O início da puberdade deve ocorrer classicamente entre 8 e 13 anos de idade em meninas, e dos 9 aos 14 anos em meninos. As puberdades consideradas precoce, são aquelas que se iniciam antes dos 6 anos em meninas, e dos 7 anos em meninos, tal questão requer investigação e tratamento. 

Na idade compreendida entre 6 e 8 anos em meninas, e 7 e 9 em meninos, considera-se um período limítrofe, e a avaliação clínica do ritmo de desenvolvimento puberal definirá a necessidade de investigação laboratorial e eventual tratamento.

Em casos em que a precocidade ou atraso puberal se devem a aceleração ou retardo constitucional do crescimento e puberdade, não há prejuízo na previsão da estatura final da criança, e a repercussão psicossocial dessa variação costuma ser de intensidade pequena.

Em situações como esta, não há a necessidade de tratamento. No entanto, quando a puberdade for realmente precoce ou tardia, a investigação da causa bem como do mecanismo pelo qual o evento puberal foi ativado, são fundamentais para a correta escolha de tratamento.

Teste do pezinho

O teste do pezinho, ou triagem neonatal, deve ser realizado no momento em que o bebê recebe alta do berçário, entre 48 a 72 horas de vida. Ele garantirá a detecção e tratamento do hipotireoidismo congênito entre 10 a 15 dias de vida, idade estabelecida como precoce o suficiente para prevenir alterações no cérebro.

Contudo, resultados negativos não excluem a totalidade dos casos e, crianças com sintomas sugestivos deve ser submetidas a avaliações laboratoriais para a confirmação diagnóstica, independente do resultado do primeiro teste. Esta falha na detecção é rara, tornando a o teste do pezinho altamente efetivo para a detecção do hipotireoidismo congênito, e de grande importância para a prevenção da doença mental.

Obesidade e Diabetes

Ainda que não seja uma regra sem exceções, a grande maioria das crianças e adolescentes obesos também terão obesidade durante a vida adulta. Além de carregar os determinantes genéticos, estes indivíduos tendem a manter os mesmos erros nutricionais e sócio-culturais que desencadeiam e agravam mecanismos geradores do ganho excessivo de peso. 

Por esse motivo, ainda que o tratamento medicamentoso não seja necessário durante a fase adulta, algumas medidas educacionais são essenciais para prevenir a evolução do quadro de obesidade.

Para pacientes com história familiar de obesidade, hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias,  é preciso conferir atenção especial, isso porque, a obesidade na infância pode ser a primeira manifestação clínica de resistência à insulina, envolvida na gênese da Síndrome metabólica que se manifesta no adulto.

Atualmente, observa-se como fenômeno mundial da vida moderna, o aumento de casos de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes. O fato é associado ao aumento de peso e sedentarismo devido à facilidades eletrônicas para atividades de lazer, como jogos computadorizados, além do aumento da oferta de alimentos industrializados e ultraprocessados. Controlar o desenvolvimento da obesidade é uma importante forma de prevenção. 

Quando procurar um endocrinologista para seu filho

Além de procurar um endocrinologista para saber se o crescimento do seu filho está de acordo com a idade, outras condições nas quais deve-se buscar a avaliação deste especialista, são:

  • criança ou adolescente com baixa estatura;
  • criança ou adolescente com alta estatura, com crescimento anormal acelerado;
  • crianças com desenvolvimento puberal precoce;
  • adolescente com desenvolvimento puberal tardio, sem sinais até 13 anos em meninas e 14 anos em meninos;
  • criança ou adolescente com diabetes;
  • criança ou adolescente com obesidade;
  • criança ou adolescente com dislipidemia;
  • criança ou adolescente com bócio, nódulo ou alteração de funções da tireóide;
  • criança ou adolescente com tumor cerebral com localização hipotalâmico hipofisária;
  • criança ou adolescente com raquitismo;
  • criança ou adolescente com dores ou fraturas ósseas sem motivos aparentes;
  • adolescentes com distúrbios menstruais ou excesso de pelos;
  • meninos ou adolescentes com ginecomastia;
  • crianças ou adolescentes que nasceram pequenos para a idade gestacional;
  • crianças ou adolescentes com síndromes genéticas associadas a distúrbios do crescimento;
  • alterações de peso;
  • alterações da tireoide;
  • alterações da puberdade;
  • ambiguidade genital.

No artigo de hoje, você pôde conferir como saber se o crescimento do seu filho está de acordo com a idade, além de conhecer os principais fatores que podem prejudicar o desenvolvimento da criança. Ao perceber sinais que indiquem prejuízo no crescimento de seu filho, busque ajuda de um profissional da endocrinologia. 

Este conteúdo foi útil? Então, veja também a importância do endocrinologista na vida da mulher!

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