Doenças reumáticas em crianças: como identificar?

Doenças reumáticas em crianças: como identificar?

11 de maio de 2020 0 Por Editor

Grande parte da população acredita que doenças reumáticas ocorrem exclusivamente na população adulta. Por certo, muitas das condições reumáticas são associadas a doenças degenerativas, comuns no processo de envelhecimento. Contudo, doenças reumáticas em crianças, apesar de não serem comuns, existem.

Assim como em pacientes adultos, as doenças reumáticas em crianças apresentam sintomas como dor, rigidez em articulações, alterações no comportamento e outros que podem comprometer o futuro do pequeno paciente com danos e limitações permanentes. A seguir, você vai conhecer mais sobre essa condição que acomete crianças e adolescentes antes mesmo da idade adulta, assim como formas de identificá-las. Acompanhe!

O que são doenças reumáticas

As doenças reumáticas são caracterizadas por comprometer o sistema musculoesquelético do indivíduo. Popularmente conhecidas como reumatismo, representam o conjunto de diferentes doenças que acometem aparelho locomotor, ou seja, articulações, ossos, músculos, cartilagens, tendões e ligamentos. 

Algumas doenças reumáticas em crianças podem ainda comprometer outras funções do corpo humano, como rins, pulmões, olhos, intestinos, pele, e até mesmo coração. São diversas as doenças caracterizadas reumáticas, entre elas, as mais comuns são artrose, fibromialgia, gota, febre reumática, artrite reumatóide e artrite idiopática juvenil.

Ainda que algumas possam ser prevenidas, como as degenerativas e metabólicas, a maioria das doenças reumáticas em crianças são inevitáveis, como casos inflamatórios que costumam causar febre sem causa, perda de peso, dores, alterações urinárias, queda de cabelo, e outros sintomas de doenças reumáticas por inflamação, as mais comuns em crianças.

Acredita-se que as doenças reumáticas acometem cerca de 25% de pessoas com menos de 16 anos em países desenvolvidos, com percentuais ainda maiores em países com baixo nível socioeconômico.

Assim como em outros países subdesenvolvidos, no Brasil, a febre reumática (FR) é a doença reumatológica mais frequente em crianças e adolescentes, seguida pela artrite reumatóide juvenil (ARJ). 

Outras doenças reumatológicas em crianças que causam importantes visitas até o reumatologista pediátrico são patologias inflamatórias como lúpus eritematoso sistêmico, dermatopolimiosite, vasculites, esclerodermia, entre outras. 

Doenças reumáticas mais frequentes em crianças

Como vimos, entre as doenças reumáticas mais comuns no Brasil, a febre reumática lidera o ranking. Isso porque ela se origina de infecção bacteriana de vias aéreas superiores, podendo afetar o coração. Seguindo a febre reumática, está a artrite idiopática juvenil, patologia que abala especialmente tendões, fígado, músculos e articulações.

Febre reumática

A febre reumática, doença reumática mais causada em crianças, é causada por uma infecção de garganta por um estreptococo apenas em crianças que são predispostas à doença. Afetando pacientes de ambos os sexos, principalmente entre 7 e 14 anos, a febre reumática é rara em crianças menores de 3 anos. 

Suas principais manifestações são febre, dores e inchaço em articulações, movimentos involuntários e desordenados e sopro no coração. Entre sua maior complicação, está a cardiopatia reumática, constituindo importante morbidade e mortalidade da doença, sendo frequente indicação de cirurgias em adultos, e que pode ser evitada e se tratada corretamente. Dessa forma é possível erradicar a bactéria da orofaringe, prevenindo novas infecções e suprimindo o processo inflamatório sistêmico desencadeado.

Artrite idiopática juvenil

Relativamente rara, a artrite idiopática juvenil é apenas uma das centenas de tipos de artrites que podem afetar crianças e adolescentes. A doença acomete mais meninas que meninos, de qualquer raça até 16 anos. No entanto, os picos de maior incidência estão entre 1 a 5 e 10 a 14 anos de idade.

Sua causa ainda não é conhecida. Entretanto, fatores imunológicos, infecciosos e genéticos estão envolvidos. Alguns estudos recentes mostram que existe certa tendência familiar, assim como fatores externos, como bactérias, vírus, estresse emocional, e traumatismos articulares que podem atuar como desencadeantes. Por não ser uma patologia infecto-contagiosa, seus pacientes podem continuar a frequentar lugares públicos normalmente.

Além das articulações, a artrite idiopática juvenil afeta outras partes do corpo da criança. Podendo durar anos, com períodos de remissão e atividade, o paciente tem dores e febre. Mesmo não sendo fatal, sem tratamento adequado pode levar complicações para o desenvolvimento e vida da criança, como deixar de usar normalmente um membro do corpo como braço ou perna. 

Ainda pode ocorrer a interrupção da locomoção, tornando-o totalmente dependendo da família. Contudo, quando tratada de forma adequada, a maior parte das crianças afetadas pode ter uma vida normal, com boa qualidade.

Seu diagnóstico, assim como na maior parte das doenças reumáticas em crianças é clínico, e se baseia na presença de artrite em articulações, com duração igual ou superior a 6 semanas. Ainda não existem exames laboratoriais específicos para a doença.

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Tipos comuns

Os tipos mais comuns de artrite idiopática juvenil, são oligoarticular, poliarticular e sistêmico. As oligoarticulares acometem 4 articulações, sendo tornozelos e joelhos as mais frequentes. Crianças diagnosticadas com este tipo da doença devem realizar avaliações oftalmológicas com frequência, de preferência a cada 3 ou 4 meses. O motivo é a possível inflamação da úvea, parte colorida dos olhos. 

No tipo poliarticular, as articulações acometidas envolvem 5 ou mais, com destaque para punhos, joelhos, tornozelos, e pequenas articulações de mãos e pés. É possível que nesse tipo, ocorra febre recorrente, e o fator reumatóide, responsável por identificar a patologia, pode estar presente em 10% do pacientes.

A artrite idiopática juvenil do tipo sistêmico é insidiosa, e caracteriza-se pela presença de artrite associada à febre alta com picos diários, erupções na pele, gânglios, aumento de baço e fígado.

Como identificar doenças reumáticas em crianças

Doenças reumatológicas em crianças comumente são do tipo inflamatórias, incuráveis e autoimunes (condição em que o sistema ataca seu próprio organismo). É possível perceber sinais de doenças reumáticas em crianças quando a criança começa a apresentar quedas repetidas, tropeços ou dificuldades para caminhar. Além disso, dores constantes que não costumam passar após analgésicos e anti-inflamatórios, também pode ser um sinal de alerta. 

Caso não sejam tratadas, as doenças reumáticas em crianças podem provocar além de invalidez, deformidades articulares. Mesmo que estes sejam alguns sinais que podem alertar os pais sobre a doença, é importante ressaltar que, a cada 100 crianças, apenas 2 vão ao médico com queixas reumatológicas. Além disso, em muitos casos a doença demora a ser diagnosticada, e criança e família passam por diferentes especialistas, situações que podem atrasar o início de tratamento adequado.

Sinais de alerta

Os pais devem ficar em alerta caso a criança comece a apresentar sinais que antes não eram comuns, como quedas repetidas, tropeços, dificuldades para caminhar ou resolver atividades comuns dentro de casa, dificuldades para brincadeiras que envolvam correr, caminhar ou pular. 

O aparecimento de dores com frequência também pode ser um sinal de alerta, além do cansaço constante, mesmo em momentos em que a criança não executou atividades que pudessem resultar na exaustão.

A dor ou incômodo, mesmo a noite, durante o sono, pode ser sinal de doença reumatológica em crianças. Confira a seguir, os sinais e sintomas mais comuns em crianças que desenvolvem doenças reumáticas.

Sintomas

A identificação precoce de doenças reumáticas em crianças é fundamental para evitar sequelas permanentes, e condições que possam prejudicar o crescimento e desenvolvimento do indivíduo. Por isso, deve-se levar a criança para avaliação assim que a presença de algum sinal ou sintoma ocorrer. Entre eles, estão:

  • dores articulares ou dores nas costas, referidas de forma constante;
  • articulações acometidas com aspectos alterados, como inchaço, calor ou vermelhidão no local;
  • dores persistentes ao longo de braços e pernas;
  • febre persistente por mais de 3 semanas;
  • perda de peso ou atraso no crescimento;
  • prostração por cansaço, ou modificação do padrão normal das atividades da criança;
  • fraqueza muscular;
  • depressão;
  • queixas visuais;
  • incapacidade de fazer tarefas do dia a dia que eram executadas facilmente anteriormente, necessitando do auxílio de adultos, tornando-se sempre dependente de outros adultos, motivo que restringe suas atividades;
  • quedas e tropeços frequentes;
  • pedido constante de colo;
  • alterações na postura.

Diante da presença de alguns destes sinais ou queixas, recomenda-se visitar um pediatra o mais rápido possível, a fim de evitar danos maiores. Pais não devem utilizar medicamentos por conta própria, assim como medicamentos caseiros.

Possíveis causas

As principais causas das doenças reumáticas em crianças são doenças infecciosas, com alterações no sistema autoimune. Dessa maneira, o organismo da criança começa a atacar sua própria articulação, provocando lesões e inflamações que causam a destruição das membranas articulares. Contudo, por não se tratar de problema hereditário, ou seja, que não passa de pais para filhos, as doenças reumáticas em crianças costumam ocorrer em um único caso por família.

Tratamento

O tratamento para as doenças reumáticas na infâncias envolve um diagnóstico preciso. Além disso, avaliações constantes devem ser feitas, incluindo a necessidade de exames laboratoriais periódicos. Isso deve acontecer para avaliar a progressão da doença, sua atividade ou remissão, de forma que o tratamento possa ser adaptado para cada situação.

Em algumas situações, é comum que a criança precise de eventuais internações, seja em enfermaria, ou unidade de terapia intensiva. De acordo com a causa, seu tratamento pode envolver antibióticos e anti-inflamatórios, prevenindo a progressão da patologia. Fisioterapia e psicoterapia também devem ser prescritas.

Exercícios para a reabilitação ajudam a devolver a mobilidade articular, permitindo que a criança consiga realizar sem dificuldades atividades rotineiras, como caminhar, escrever, comer e escovar os dentes. 

É fundamental lembrar-se que, a detecção e tratamento precoce das doenças reumáticas em crianças possibilita a prevenção de danos permanentes e sequelas. Realizando o tratamento adequado, a criança ou adolescente pode levar uma vida normal, com desenvolvimento sem interrupção e saúde. 

Para garantir o melhor cenário diante de doenças reumáticas em crianças, é essencial ficar atento aos sinais e sintomas de forma que seja possível realizar um diagnóstico precoce em uma clínica reumatológica, com oportunidade de tratamento prévio, melhorando as chances e qualidade de vida da criança.


Gostou das informações deste conteúdo? Então, conheça também as principais doenças reumáticas em adultos!

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