Diabetes gestacional: entenda o que é, os sintomas e como tratar

Diabetes gestacional: entenda o que é, os sintomas e como tratar

12 de março de 2021 Off Por Editor

A diabetes gestacional é uma doença caracterizada pelo aumento de níveis de glicose no sangue durante o período de gestação, trazendo graves complicações à saúde da mãe e do bebê. 

Ainda que a mulher nunca tenha apresentado problemas com a diabetes antes, é possível que na gravidez seus níveis de açúcar passem do normal. De forma geral, as taxas hormonais que sofrem alterações durante a gravidez podem ser uma das causas para o desenvolvimento da doença. 

Para que a gestação tenha um desfecho feliz, em que mãe e bebê tenham saúde e segurança, o tratamento desta condição é fundamental. Se você tem dúvidas sobre este assunto, continue a leitura e acompanhe o que é diabetes gestacional, seus sintomas, causas, complicações e formas de tratamento!

Saiba o que é diabetes gestacional

Como qualquer tipo de diabetes, a diabetes gestacional é uma doença que atinge a forma como as células utilizam o açúcar no organismo, causando altos níveis da substância no sangue e afetando o curso da gravidez. 

Esse é um tipo de diabetes que apresenta certa particularidade, visto que seu início ocorre durante a gravidez, desaparecendo após o nascimento do bebê. Em mulheres que já são diabéticas, ao engravidar não são consideradas portadoras do diabetes gestacional. 

Afinal, esta doença aparece somente após o início da gestação. Em geral, sua ocorrência só acontece a partir da metade do segundo trimestre, após a 20ª semana de gestação.

Ao ser comparada com mulheres não gestantes, as grávidas apresentam maiores riscos para hipoglicemia, ou seja, baixos níveis de glicose, em períodos fora da refeição e durante o sono. 

Isso acontece devido à extração contínua de glicose do feto, mesmo quando a mãe se encontra em jejum. Conforme o bebê cresce no útero, maior será sua necessidade de glicose.

A partir do segundo trimestre de gestação, o bebê começa a se desenvolver mais rapidamente, tornando seu consumo de glicose ainda mais intenso, motivo que aumenta a necessidade da mãe em ter mecanismos protetores contra episódios de hipoglicemia. 

Essa proteção acontece por meio de hormônios produzidos de forma natural pela placenta, como estrogênios, progesterona e a somatotrofina coriônica, agindo para diminuir o poder de ação da insulina e permitindo que maiores quantidades de glicose se tornem disponíveis na corrente sanguínea da mulher.

Esse efeito contra a insulina é tão potente que, ao final da gravidez, o pâncreas da mulher deve produzir até 50% a mais de insulina para evitar que seu organismo tenha hiperglicemia (altos níveis de glicose no sangue).

O diabetes gestacional surge exatamente em mulheres cujo organismo não é capaz de aumentar a ação da insulina como forma de compensar os efeitos do aumento de glicose causados pelos hormônios da gravidez. 

Os níveis elevados de glicose no sangue das mães com diabetes gestacional surgem principalmente após as refeições, momento em que o organismo recebe grande carga de açúcar proveniente dos alimentos. 

Principais causas

Grande parte dos casos de diabetes gestacional ocorre no terceiro trimestre de gestação, por estar principalmente relacionado com a resistência à insulina desenvolvida pelo aumento da concentração de hormônios relacionados à gravidez.

Pelo aumento das demandas nutricionais, ou seja, com a forma em que a mãe passa a ingerir mais carboidratos para fornecer quantidades adequadas de glicose ao bebê, acontece a regulação da glicemia por meio da insulina. 

Contudo, os hormônios relacionados à gestação podem deixar a produção de insulina no pâncreas suprimida. Essa ação torna o órgão incapaz de aumentar os níveis de insulina produzidos, mantendo maiores quantidades de açúcar no sangue e causando o desenvolvimento da diabetes. 

A diabetes gestacional tem maior facilidade para desenvolvimento em mulheres com mais de 35 anos, que estão em sobrepeso ou obesidade, e apresentam acúmulo de gordura na região abdominal, apresentam baixa estatura e que são portadoras da síndrome do ovário policístico. Além disso, outros fatores de risco são considerados para o desenvolvimento da doença.

Fatores de risco para desenvolver a diabetes gestacional

Em alguns casos, não é possível encontrar o motivo que leva os mecanismos de controle de glicemia a sofrerem o descontrole que leva a diabetes gestacional. No entanto, algumas características são conhecidas como principais fatores de risco para a doença em gestantes. São eles:

  • Histórico familiar de diabetes mellitus;
  • Excesso de peso antes ou durante a gestação;
  • Idade maior que 35 anos;
  • Gravidez anterior com bebê nascido com mais de 4 kg;
  • Ter a glicemia alterada em exames realizados em algum momento antes da gravidez;
  • Hipertensão arterial;
  • Síndrome do ovário policístico;
  • Histórico de aborto espontâneo sem causa esclarecida;
  • Ter uma gestação anterior com bebê com malformação;
  • Fazer uso de corticoides;
  • Ter apresentado pré-eclâmpsia e eclâmpsia na gestação anterior.

Sintomas da diabetes gestacional

Diferente de outros tipos de diabetes, em que os sintomas como perda de peso, sede excessiva, fome constante, vontade constante de urinar e visão turva estão presentes, o diabetes gestacional não costuma apresentar sintomas. 

Por serem naturais da gestação, sintomas como cansaço, alterações no padrão de fome, sono e aumento da frequência urinária não podem ser usados como parâmetro para identificar a doença. Dessa forma, sem a realização dos exames laboratoriais usados para rastrear a diabetes gestacional, não é possível identificar a doença.

Diabetes gestacional: qual a taxa e valores?

Os exames para rastreio de diabetes gestacional habitualmente são feitos entre a 24ª e 28ª semana de gravidez. Para gestantes de alto risco, a investigação pode acontecer antes desse período, sendo que muitos obstetras iniciam essa investigação até mesmo na primeira consulta, avaliando a dosagem de glicemia em jejum.

Essa é uma orientação da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), que indica que todas as gestantes devem medir a glicose em jejum na primeira consulta do pré-natal. 

O valor esperado é inferior a 85 mg/dl. Caso a gestante apresente glicemia em jejum menor que esse valor e não tenha nenhum fator de risco para a doença, nenhuma outra pesquisa é necessária até o segundo trimestre. 

Se a mulher apresentar resultado acima de 126 mg/dl em jejum em sua primeira consulta, é um indicativo para diabetes. Por isso, o exame deverá ser repetido com uma ou duas semanas após essa confirmação.

Caso a gestante tenha o resultado entre 85 e 125 mg/dl, ela ainda não será considerada diabética, contudo, pode estar no grupo de risco. Dessa forma, uma nova pesquisa também deverá ser realizada, entre a 24ª e 28ª semana de gestação.

Para o teste de tolerância oral à glicose, a grávida deverá colher sangue para realizar o teste de glicemia em 3 momentos. O primeiro deve ser em jejum. Mais tarde, a gestante deverá consumir um xarope com 75 gramas de glicose, aguardar 1 hora e colher novamente o sangue. 

Por fim, 2 horas após a ingestão do xarope, a gestante deve colher sangue pela terceira vez. Assim, o diagnóstico para a diabetes gestacional é realizado se a paciente tiver pelo menos 2 entre os 3 resultados alterados:

  • Glicemia em jejum – normal até 92 mg/dl;
  • Glicemia após 1 hora – normal até 180 mg/dl;
  • Glicemia após 2 horas – normal até 153 mg/dl.

Este protocolo é apenas um entre vários existentes. Contudo, é a maneira mais indicada para investigar a existência da diabetes gestacional, sendo o mais utilizado em mulheres brasileiras.

Diabetes gestacional pode matar o bebê?

O diabetes gestacional pode trazer riscos não só ao bebê, mas também à mãe. O excesso de glicose circulando no sangue da mulher pode atravessar a placenta e chegar até o feto, levando grandes quantidades da substância até ele.

Dessa forma, o pâncreas do feto passa a produzir grandes quantidades de insulina, tentando controlar a hiperglicemia fetal. A insulina estimula o crescimento e o ganho de peso, causando o crescimento excessivo no feto. 

Os bebês de mães com diabetes gestacional geralmente nascem com o peso acima de 4 kg e, por isso, precisam ser submetidos à cesária. Quando a diabetes gestacional não é tratada de forma adequada, existem maiores riscos para morte intrauterina, problemas cardíacos, respiratórios, icterícia e episódios de hipoglicemia após o parto. 

Essas crianças quando adultos podem desenvolver o risco de obesidade e diabetes mellitus tipo 2. Por parte da mãe, a diabetes gestacional pode aumentar o risco de para aborto, parto prematuro e pré-eclâmpsia.

Tratamento

O tratamento para a diabetes gestacional é realizado à base de uma dieta rica e variada. Além disso, a prática de atividades físicas deve estar presente. O uso de insulina como forma de regular os níveis de glicose no sangue é feito em somente 20% das gestantes, e em casos como este, não apresenta risco para mãe ou bebê.

Caso a paciente já possua a doença antes de engravidar, é importante que ela planeje a gestação, visto que a maioria dos remédios utilizados para controlar o hormônio são contraindicados durante a gravidez.

Mesmo que a diabetes desapareça, em média, num intervalo de três a quatro dias após a paciente dar à luz, pacientes que desenvolveram uma vez a condição durante a gestação têm maior propensão para se tornarem diabéticas posteriormente e mais chances de apresentar o mesmo problema em uma gravidez posterior.

Dieta para diabetes gestacional

A alimentação na diabetes gestacional deve ser orientada por um nutricionista para que não existam deficiências nutricionais para a mãe ou para o bebê. Por isso, é recomendado que a gestante coma alimentos com baixo índice glicêmico, como frutas com casca, assim como diminuir a quantidade de açúcar e carboidratos simples da alimentação.

Recomenda-se a preferência por alimentos que sejam pobres em carboidratos, ou que tenham carboidratos complexos, sendo aqueles que possuem baixo índice glicêmico devido à elevada quantidade de fibras. Dessa forma, grãos integrais, carnes, peixes, oleaginosas, sementes, leite e seus derivados podem ser consumidos pela gestante.

É importante que a glicemia seja mensurada em jejum e após as principais refeições, visto que isso torna possível tanto para gestante quanto para o médico controlar os níveis de glicose no sangue. Além disso, de acordo com os níveis apresentados, um nutricionista pode elaborar um plano alimentar ideal.

Prática de exercícios

Os exercícios são fundamentais para promover a saúde da gestante, mantendo seus níveis de glicose circulante equilibrados. A prática de atividades físicas na gravidez é segura quando não são identificados fatores que podem colocar a vida da mãe ou bebê em risco.

Por isso, é importante que a prática seja iniciada somente após a autorização médica e seja realizada sob orientação de um profissional. A prática de exercícios pela mulher com diabetes gestacional promove a diminuição da quantidade de glicose em jejum após as refeições, sem que o uso de insulina seja necessário como forma de controlar os níveis. 

Principais dúvidas sobre a diabetes gestacional

Por ser um assunto pouco abordado, a diabetes gestacional ainda pode gerar muitas dúvidas entre as mulheres. Para esclarecer melhor esta doença, separamos as principais questões a seguir.

Se o exame for positivo, terei que tomar insulina?

Isso pode variar de um caso para outro. Existem alguns cuidados e tratamentos que podem ser feitos de acordo com o grau de diabetes gestacional. Em grande parte dos casos, é possível que o controle de níveis de glicemia seja realizado com mudanças em hábitos alimentares da gestante, aliados à prática de atividades físicas regulares. A insulina é indicada somente em último caso.

A diabetes gestacional acaba após a gravidez?

Normalmente, sim. A recomendação é que a mulher com diabetes gestacional faça novos exames para checar os níveis de glicose, avaliando se a quantidade de açúcar no sangue voltou ao normal no período após o parto. Por aumentar a propensão para o desenvolvimento da diabetes mellitus futuramente, os testes devem ser realizados todos os anos a partir do nascimento do bebê.

É possível evitar a diabetes gestacional?

Não. Contudo, ainda que a causa exata do aparecimento da doença seja definida, se as mães que estiverem com mais de 20% do peso ideal tiverem uma redução significativa de peso, as chances para seu desenvolvimento podem diminuir.

Realizar escolhas saudáveis em sua alimentação, como a ingestão de frutas, verduras, fibras e carnes magras, além de realizar exercícios físicos, pode ajudar na prevenção não só do diabetes gestacional, como também de várias outras doenças.

A gravidez tardia pode aumentar a predisposição para diabetes gestacional?

Sim. A gravidez em mulheres acima dos 35 anos é considerada um dos fatores de risco para a predisposição à diabetes gestacional. Por isso, se este for o caso, a mulher deve verificar os níveis de glicose no sangue, realizando um acompanhamento pré-natal rigoroso.

Mulher com diabetes gestacional pode amamentar?

Sim. O aleitamento materno é uma forma de reduzir o risco para o desenvolvimento da diabetes mellitus após o parto, visto que a produção de leite no corpo da mãe ajuda na redução de níveis de glicose no sangue. A amamentação, aliada a práticas regulares de atividade física e alimentação balanceada podem ajudar na prevenção da diabetes no futuro.

O parto de uma mulher com diabetes gestacional pode ter maiores complicações?

Sim. Os altos níveis de glicose no sangue disponível para o bebê acabam se acumulando em forma de gordura. Dessa maneira, a probabilidade do nascimento de bebês grandes aumenta. Isso torna o parto um pouco mais complicado, exigindo a realização de uma cesariana. 

No entanto, é importante reforçar que a via de parto, assim como as decisões referentes ao momento do nascimento do bebê, são realizadas de forma individual, de acordo com as condições da gestante e da equipe médica.

Grávidas com diabetes têm maiores riscos de contrair infecções?

Sim. Com o aumento da glicose no sangue, elevando os níveis de glicemia, o pH da vagina acaba se alterando. Isso torna a região mais propensa a contrair infecções como, por exemplo, a candidíase vaginal.

Quais exames monitoram a diabetes gestacional?

Entre os exames mais exigidos pelos médicos para monitorar a rotina pré-natal de uma gestante com diabetes gestacional, estão a hemoglobina glicada, creatinina, colesterol total, triglicérides, ácido úrico, TSH, T4L, microalbuminúria e proteinúria, ECG e ecocardiografia maternos.

Como faço para saber se tenho diabetes gestacional?

Para o diagnóstico, uma dosagem de glicemia de jejum é realizada, exame de sangue realizado uma vez a cada trimestre da gestação. No último trimestre, mede-se a curva glicêmica da gestante através de um teste oral de tolerância à glicose.

Diabetes gestacional tem cura?

Em grande parte dos casos, a diabetes gestacional desaparece de maneira espontânea após o nascimento do bebê. Contudo, a mãe apresenta risco elevado para desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida. Uma forma de evitar que isso aconteça é manter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas regularmente.

Na leitura de hoje, apresentamos a importância em entender melhor o que é diabetes gestacional, conhecendo os fatores de risco que levam uma mulher a desenvolver este quadro e quais as formas de tratá-la. Para evitar que isso aconteça, mantenha regularidade nas consultas de pré-natal, investindo em qualidade de vida para você, e seu bebê!

Quer ficar por dentro dos calendários de vacinação? Então, faça seu contato com a Clínica Croce por meio do WhatsApp. Assim, você poderá receber todas as novidades relacionadas à vacinação em seu celular,  incluindo sobre o Novo Coronavírus.